Chamada do volume 43 (2022) - "Outras modernidades: releituras literárias (1922-2022)"

Que Modernismo? Quando? A Semana de Arte Moderna completa 100 anos em fevereiro de 2022 e motivos não faltam para continuarmos a conversa acerca da primeira geração do Modernismo Brasileiro, bem como sobre seus contínuos impactos na vida acadêmica e além. A importação de linguagens e de estéticas estrangeiras ganhou outros ares quando estas foram deglutidas pela cultura local. A questão da identidade nacional e cultural ganhou novas modelagens na contemporaneidade. Entre tantos campos de estudo, pesquisas em arquivos literários, ligadas à literatura como campo expandido, têm proposto novas formas de diálogos entre criações nacionais e estrangeiras, trazendo instigantes perspectivas em relação ao trabalho na área da Literatura Comparada.

Das vanguardas europeias ao Modernismo Brasileiro: ou se entendeu que nós, brasileiros(as), somos antropofágicos(as), ou não se entendeu muita coisa. Alia-se ao conceito de Antropofagia, proposto por Oswald de Andrade, a noção de “traição da memória”, pensada por Mário de Andrade: esquecimentos em relação à arte, à cultura e à literatura hegemônicas impulsionariam o processo de (re)invenção brasileira visando uma expressão singular no “concerto das nações”. Manifestos, revistas, ensaios, correspondências e expansões da arte em geral foram remodulando as gerações de um movimento que parece pedir uma permanente atualização via novas e provocativas leituras, assim como reflexões sobre os apagamentos que as correntes artísticas sempre causam.

Que tal revermos o que significa voltar ao Modernismo de 22, que buscava majoritariamente a tomada de consciência da realidade e da cultura brasileiras, ao tempo em que se propunha discutir criticamente – 100 anos após a independência, e apenas 34 anos após a abolição da escravatura – os problemas sociopolíticos nacionais? Que enorme caixa de pandora dos desajustes brasileiros a Semana de Arte Moderna de 1922 ajudou a abrir? Como ser antropófago(a) em tempos de patologias nacionalistas? No Brasil haveria outra medida senão reimaginar o futuro regressando, uma vez mais, ao passado, oferecendo-lhe sobrevivências transformadoras, avaliando suas heranças, questionando seus limites, pensando, no presente, conforme assinala Oswald de Andrade no Manifesto Antropófago, “contra as escleroses urbanas”? Algumas pesquisas atuais relativas à cultura afro-brasileira e indígena, aos estudos de gênero e a criações de regiões distantes dos centros de maior prestígio econômico e cultural, por exemplo, têm dado novas cores a reavaliações do modernismo. Há muito a ser dito, talvez reconhecendo conquistas do passado e abrindo discussões no presente.

Convidamos os(as) interessados(as), portanto, a desenvolver reflexões sobre a pluralidade de modernidades que o modernismo brasileiro comportou e ainda comporta, seus desdobramentos em obras literárias e artísticas contemporâneas, bem como sobre os meios e as formas de apropriação da modernidade pelos(as) modernistas e do modernismo pela contemporaneidade, em uma visada comparatista que privilegia o cosmopolitismo e o diálogo entre estéticas, identidades e culturas.

 

Ana Lígia Leite e Aguiar (UFBA)

Roniere Menezes (CEFET-MG)

Laura Brandini (UEL)

 

Prazo máximo de submissão: 29 de abril de 2022.

Publicação prevista para outubro de 2022.

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