Diferentes montações e performances de drag queens e pessoas gênero-dissidentes: mimese de um ideal feminino ou revolução de gênero?

Rafaela Gomes Paes Barreto, Aluísio Ferreira de Lima, Stephanie Caroline Ferreira de Lima

Resumo


Neste artigo, discutimos as vicissitudes das diferentes montações e performances drag e de pessoas gênero-dissidentes. Fazendo uso do termo “performance trans”, na perspectiva de Juliana Frota da Justa Coelho, pretendemos refletir sobre diferentes formatos e efeitos suscitados por performances de gênero. O objetivo é, sem intenção de constituir uma trajetória histórica supostamente única, compreender as potencialidades e os desafios destas performances e promover uma reflexão sobre os efeitos dessas manifestações em nossa sociedade e o contexto social dos lugares onde ocorreram e ocorrem. A partir da teoria queer, que se apresenta como crítica à cisheteronormatividade, voltamos a nossa atenção para a análise de performatividades não hegemônicas que tensionam tais normas. Assim, o artigo foi dividido metodologicamente em três partes: 1) discussão teórica sobre a normatividade envolvendo os usos do corpo generificado; 2) contextualização das performances drag queen; e 3) análise acerca de alguns dos múltiplos significados e formatos que foram sendo adotados nas últimas décadas para a elaboração das performances trans. Os momentos apresentados ao longo do artigo permitem assinalar, finalmente, como as diferentes performances trans oferecem elementos para uma crítica potente e transformadora do ideal feminino cisheteronormativo.

Palavras-chave


Psicologia Social; Teoria queer; Gênero; Performance; Drag Queen

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0383.2021v42n1p133

Semina, Ciênc. Soc. Hum.

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E-ISSN: 1679-0383

DOI: 10.5433/1679-0383


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