Automedicação em usuários da Atenção Primária à Saúde: motivadores e fatores associados

Rafael Openkowski Ramires, Ivana Loraine Lindemann, Gustavo Olszanski Acrani, Lissandra Glusczak

Resumo


Introdução: a automedicação pode aliviar sintomas e doenças agudas por um menor custo. Entretanto, esse consumo de medicamentos por conta própria e sem orientação adequada pode acarretar prejuízos como terapêuticas inadequadas, intoxicações e dependência.
Objetivo: estimar a prevalência, os motivadores e os fatores associados à automedicação em adultos e idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde (APS).
Métodos: estudo transversal realizado de maio a agosto de 2019. A estatística compreendeu o cálculo da prevalência de automedicação, com período recordatório de 30 dias e seu intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Para verificação dos fatores ajustados, foram calculadas as Razões de Prevalência (RP), brutas e ajustadas.
Resultados: a amostra foi de 1.365 usuários, com prevalência do desfecho de 55% (IC 95%: 53-58), sendo esta maior em mulheres (RP=1,33; IC 95%: 1,17-1,52), adultos (RP=1,27; IC 95%: 1,14-1,41) e naqueles com 12 anos ou mais de estudo (RP=1,22; IC 95%: 1,09-1,37). Os principais motivadores foram dor (89%), gripe, resfriado e dor de garganta (18,9%) e febre (6,9%).
Conclusão: verificou-se prevalência importante de automedicação, especialmente em mulheres, jovens e com maior escolaridade. Considerando os riscos, destaca-se a necessidade de políticas públicas para prevenir o uso indiscriminado de medicamentos.


Palavras-chave


Automedicação; Atenção Primária à Saúde; Epidemiologia

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