Interrupção do sono na unidade de terapia intensiva: revisão integrativa acerca dos fatores associados.

Anthony Medeiros Calado de Lima, Brena Patricia Silva do Carmo, Carlos José Oliveira de Matos

Resumo


Introdução: O sono é um estado comportamental caracterizado pela diminuição das respostas aos estímulos do ambiente externo. É regulado pelo sistema nervoso central por meio de mecanismos fisiológicos e é dividido em sono Non Rapid Eye Movement (NREM) e sono Rapid Eye Movement (REM). Possui função reparadora ao mesmo tempo que promove o descanso. Na unidade de terapia intensiva (UTI), ambiente complexo e de monitorização constante, as atividades técnicas são sobrepostas à garantia do sono de qualidade dos pacientes não sedados, causando a interrupção deste processo. Métodos: trata-se de uma revisão integrativa, na qual a busca ocorreu por meio das bases de dados: PUBMED, LILACS (Literatura-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Scielo (Scientific Electronic Library Online), Scopus, utilizando os descritores: intensive care units, sleep e patients; entre os anos de 2013 e 2018. Objetivo: Estudo com o objetivo de descrever os fatores que estão associados a interrupção do sono em pacientes não sedados na unidade de terapia intensiva. Resultados: Dentre os elementos que interrompem o sono foram identificados como os principais: a iluminação, grande quantidade de ruídos no ambiente de cuidados intensivos e manipulações excessivas durante a noite. Outros aspectos observados englobam a percepção dos profissionais sobre a importância desse processo fisiológico, porém não acompanhada de ações que garantam a sua qualidade, tal qual o impacto na função cerebral associada a sua interrupção. Conclusão: Foi possível constatar que os fatores ambientais da unidade de terapia intensiva (UTI) interferem diretamente na continuidade do sono, bem como a escassez de protocolos resulta em tomadas de decisões inadequadas quanto à preservação do tempo de descanso do paciente. Ruídos, iluminação excessiva e padrões emocionais como a ansiedade e o medo são as maiores causas de interrupção do sono. A ausência de protocolos para a promoção do sono na UTI implica na falta de ações adequadas executadas pelos profissionais. A ocorrência de delirium devido a diminuição da função cognitiva, o declínio do sistema imune e o comprometimento dos músculos respiratórios dificultando o desmame da ventilação mecânica, foram identificados como os desfechos associados a interrupção do sono de pacientes críticos.

Palavras-chave


Unidades de terapia intensiva, Sono, Privação do sono, Cuidados críticos, Assistência ao paciente, Qualidade da assistência à saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.47066/2177-9333.AC.2020.0006

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