Epistemologias feministas e Ciência da Informação: estudos e implicações

Carlos Cândido de Almeida, Rosa San Segundo Manuel

Resumo


Objetivo: Apresentar os estudos que revisam o tema e os que não revisam concretamente a questão do gênero e da mulher na ciência da informação, porém sustentando que apenas os estudos crítico-revisionistas-críticos teriam o compromisso de fazer avançar o debate no sentido de lançar questões epistemológico-feministas à área.
Metodologia: Segue um procedimento bibliográfico seletivo, elencando trabalhos que ilustram vários temas relativos à mulher inseridos na ciência da informação.
Resultados: Para incorporar elementos das epistemologias feministas à ciência da informação devem ser revistas a concepção de ciência da informação, a discussão de sua identidade, a incorporação da teoria de gênero, a integração dos esforços de renovação da linguagem, o questionamento do gênero nos métodos de pesquisa e a neutralidade das tecnologias da informação. Entre empirismo, ponto de vista feminista e feminismo pós-moderno na ciência, pode-se elencar pontos que implicam mudanças na ciência da informação.
Conclusões: Os trabalhos crítico-revisionistas têm manifestado diversos problemas do uso da linguagem na reprodução dos preconceitos, mas sugere-se olhar para outras frentes de atuação da área em que se fazem necessária a incorporação mais aprofundada de uma abordagem feminista. O pensamento patriarcal se esconde sob um verniz pluralista, mas segue as mesmas diretrizes de ciência-padrão e elege quem está autorizado a defini-la.


Palavras-chave


Epistemologias feministas; Ciência da informação; Estudos críticos

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