Cultura Feirante de Informação: um relato de campo sobre as feiras de livro do Rio de Janeiro

Amanda Salomão, Gustavo Silva Saldanha

Resumo


Introdução: considera-se o universo das feiras de livro como espaços que proporcionam não apenas a democratização e o incentivo ao contato com o livro e à leitura, como também evidenciam práticas informacionais por meio da apropriação e mediação sociotécnica do saber, resultando em uma cultura informacional distinta e singular no locus das feiras. Objetivo: analisar a relação entre a construção simbólica, a circulação e a apropriação dos saberes a partir de duas feiras de livro da cidade do Rio de Janeiro: Primavera dos Livros, promovida pela Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) e as Feiras de Livro de iniciativa da Associação Brasileira do Livro (ABL).  Metodologia: intervenção, a partir de abordagem qualitativa, nos anos de 2014 e 2015, em duas feiras da cidade do Rio de janeiro, tendo por base aportes do método etnográfico. Buscou-se observar as práticas e trocas informacionais ocorridas no espaço da feira, dialogar com seus “habitantes”, enfatizando as mediações sociotecnológicas vivenciadas por seus atores e artefatos. Resultados: a apropriação do espaço-tempo propiciada pelas feiras de livros, sob o ponto de vista simbólico, evidencia a relação dos indivíduos com os objetos estruturados no locus da feira. Reconhece-se no estudo a atribuição interativa de uma rede de significados aos elementos e características do espaço, sendo o livro e a feira, por exemplo, objetos de construção-apropriação simbólica do saber para os integrantes dessa cultura feirante. Conclusões: as feiras agem como um outro ambiente de produção, organização e disseminação do conhecimento, diferente daqueles vivenciados em arquivos, museus e bibliotecas, uma vez que o saber e a mediação da informação ocorrem de maneira distinta das formas históricas de tais centros, com foco em uma intensa relação entre a oralidade e a multiplicidade tecnológica.


Palavras-chave


Feira de Livro; Cultura Feirante de Informação; Mediação; Artefato Sociotécnico; Cultural Informacional

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2017v22n3p269

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