A contribuição de Robert Merton e Thomas Kuhn para a visão auto-organizada da colaboração científica: um estudo metateórico

Carla Mara Hilário, Maria Cláudia Cabrini Grácio

Resumo


Introdução: A colaboração científica é uma atividade social de interação entre pesquisadores que atuam em grupos ou duplas para a elaboração de pesquisas mais completas e precisas. Objetivo: refletir a colaboração científica à luz dos estudos de Merton e Kuhn, a fim de propor uma abordagem conceitual-teórico-metodológico para a colaboração, tratada neste trabalho como uma atividade espontânea e autoorganizada. Metodologia: apresenta as análises metateóricas de Ritzer e descreve o comportamento científico colaborativo a partir da teoria dos autores de Merton e Kuhn. Resultados: Identifica que o comportamento dos pesquisadores pode ser determinado a partir de padrões e normas sociais da comunidade científica, associados às normas cognitivas individuais. Conclusões: As propostas de Merton e Kuhn podem ser completares, e quando associadas tendem a endossar a perspectiva autônoma e autorregente do processo de colaboração científica uma vez que o processo de construção do conhecimento pode ser considerado resultado de interações sociais, todavia, esta última condicionada às características estruturais de cada domínio conforme a proposta de Merton, somada as preferências e normas cognitivas individuais dos pesquisadores que participam do processo de construção do conhecimento, evidenciando a existência de normas cognitivas no fazer científico, destacada por Thomas Kuhn.


Palavras-chave


Colaboração Científica; Paradigmas; Bibliometria; Redes Sociais

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2018v23n3p17

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