Um campo de possibilidades: práticas de Ensino de História no Cemitério São João Batista de Guarabira- PB

Paulo Hipólito

Resumo


O objetivo da pesquisa foi demostrar como o cemitério – em particular o São João Batista de Guarabira-Pb – pode ser utilizado como instrumento para a prática de ensino de história, na elucidação de conceitos históricos, como forma de inovar o ensino de história na sala de aula, assim como alternativa de cativar o interesse dos alunos para o conhecimento histórico. O presente artigo é resultado de uma sequência didática realizada em 2015, envolvendo alunos de 8º e 9º ano, do Centro Educacional Dom Helder Câmara, escola ligada à rede municipal de ensino de Guarabira-Pb. A sequência se dividiu em dois momentos: aulas teóricas, em sala, e aula de campo, no cemitério. De acordo com a análise dos relatos dos alunos, podemos dizer que a sequência didática gerou resultados positivos, tais como: os alunos souberam identificar e compreender os conceitos abordados nas aulas; houve a quebra do preconceito e do medo quanto ao espaço cemiterial; os estudantes passaram a enxergar o cemitério como fonte histórica; a aula de campo ajudou na compreensão da noção de temporalidade. Desse modo, entendemos que o cemitério pode ser uma rica fonte de pesquisa, possibilitando práticas de ensino de história inovadoras e como forma de facilitar a compreensão de conceitos históricos, tais como memória, história, tempo, patrimônio e identidade, assim como suas imbricações na vida prática.


Palavras-chave


Cemitério; Ensino de História; Conceitos históricos.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, Denise Lino de. O que é (e como faz) sequência didática? Entre palavras, Fortaleza, ano 3, n. 1, p. 322-334, jan./jul. 2013.

ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUC-RS, 2008.

ARIÈS, Philippe. História da morte no ocidente da Idade Média até aos nossos dias. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

BARCA, Isabel; GAGO, Marília. Aprender a pensar em história: um estudo com alunos do 6º ano de escolaridade. Revista Portuguesa de Educação, Braga, Portugal, v. 14, n. 1, p. 239-261, 2001.

BELLOMO, Harry Rodrigues (org.). Cemitérios do Rio Grande do Sul: arte, sociedade, ideologia. 2. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. Magia e técnica, arte e política. v.1. São Paulo: Brasiliense, 1987.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1989.

CAIMI, Flávia Eloisa. Porque os alunos (não) aprendem história? reflexões sobre ensino, aprendizagem e formação de professores de história. Revista Tempo, Brasília, v. 11, n. 21, p.17-32, 2007.

CAINELLI, Marlene. O que se ensina e o que se aprende em história. In: OLIVEIRA, M. M. D. (coord.). História: ensino fundamental. Brasília: Ministério da Educação, 2010. (Coleção Explorando o Ensino, v. 21). p.17- 34.

CHAUNU, Pierre. La mort à Paris, XVIe, XVIIe et XVIIIesiècles. Paris: Fayard, 1978.

COELHO, Cleodon. Guarabira através dos tempos. Obra do professor Ceodon Coelho. Guarabira: Livraria Nordeste, 1955.

CYMBALISTA, Renato. Cidade dos vivos: arquitetura e atitudes perante a morte nos cemitérios do Estado de São Paulo. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2002.

FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva, São Paulo, n. 67, p. 48-52, maio 2009.

FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999.

FERMIANO, Maria Belintane; SANTOS, Adriane Santarosa dos. Ensino de história para o fundamental 1: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2014.

FERNANDES, Lídia. A ordem toscana na Lusitânia ocidental: problemática e caracterização do seu emprego: a propósito das peças reutilizadas da Igreja de S. Pedro de Lourosa (Coimbra). Revista Portuguesa de Arqueologia, Lisboa, v. 11, n. 2, p. 231-270, 2008.

FONSECA, Maria Cecília. Construções do passado: concepções sobre a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional (Brasil: anos 70-80). 1992. Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade de Brasília, Brasília, 1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz Terra, 1996.

KNAUSS, Paulo. Sobre a norma e o óbvio: a sala de aula como lugar de pesquisa. In: Nikitiuk, S. M. L. Repensando o ensino de história. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 26-46.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução de Wilma Patrícia Maas e Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006.

LEITÃO, Henrique. Azulejos que testemunham uma tradição de ensino científico. In: SIMÕES, Carlota (org.). Azulejos que ensinam. Coimbra: Museu Nacional de Machado de Castro: Universidade de Coimbra, 2007. p. 16-33.

MARQUETTI, Flávia Regina. Olhos de serpente. Revista Ártemis, João Pessoa,v. 7, p. 1-12, dez. 2007. MICELI, Paulo. Uma pedagogia da história? In: PINSKY, Jaime. O ensino de história e a criação do fato. 14. ed. São Paulo: Contexto, 2011. p. 37-42.

PEREIRA, J. C. M. S. Uma reprodução simbólica do universo social: o sepultamento de escravos no cemitério do Pretos Novos, no Rio de Janeiro dos séculos XVII a XIX. Sankofa, São Paulo, n. 1, p. 20-46, jun. 2008.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

REZENDE, Eduardo Coelho Morgado. Cemitérios. São Paulo: Editora Neclópolis, 2007.

ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. 2003. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

SCHMITT, Jean?Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Tradução de Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999.

SILVA, Amós Coelho da. Os jogos e as instituições sociais em sociedades arcaicas e primitivas. In: LESSA, Fábio de Souza; BUSTAMANTE, Regina Maria da Cunha (org.). Memória & festas. Rio de Janeiro: Mauad, 2005. p. 157-164.

SILVA, Marcos A. História: o prazer em ensino e pesquisa. São Paulo: Brasiliense, 2003.

VALLADARES, Clarival do Prado. Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros. Brasília: Imprensa Nacional, 1972. v. 2.

VOVELLE, Michel. Imagens e imaginário na história: fantasmas e incertezas nas mentalidades desde a Idade Média até o século XX. São Paulo: Ática, 1997.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2238-3018.2019v25n2p373

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


URL da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Hist. Ensino
E-Issn: 2238-3018
DOI10.5433/2238-3018
E-mail: labhis@uel.br