Temporalidade (s) na historiografia didática: notas sobre o ensino de história e cultura indígena no município de Maringá (2014-2016)

João Paulo Pereira Coelho, Maria Aparecida Leopoldino, Daniella Castellini Nunes

Resumo


O artigo apresenta resultados de análise do livro didático de história regional intitulado Pequenos Exploradores, adotado pelos professores da rede municipal de ensino da cidade de Maringá-Paraná.  O objetivo norteador das reflexões empreendidas no trabalho foi   problematizar  as  representações sobre o tempo - moderno, industrial e urbano - presentes no referido livro e as suas implicações sobre  as particularidades das  vivências do tempo na cultura indígena. Para tanto, utilizou-se de pesquisa bibliográfica para subsidiar o estudo da fonte, tendo  como  referencial e base conceitual de análise  a ideia de representação e de leituras do passado do historiador francês Roger Chartier, teórico da  história cultural. Conclui-se que  as concepções de  tempo devam comportar múltiplas representações sociais e culturais, compreendo as vivências do indígena  no tempo em suas singularidades, afastando-se de concepções homogeneizadoras e hierarquizadas que se desenvolveram na sociedade moderna industrial.


Palavras-chave


Ensino de História escolar; Temporalidades; Cultura indígena.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2238-3018.2017v23n2p181

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Hist. Ensino
E-Issn: 2238-3018
DOI10.5433/2238-3018
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