Marcadores Territoriais da Fé Popular em Ponta Grossa: resistência social e cultural

Maximillian Ferreira Clarindo, Nicolas Floriani

Resumo


Este artigo tem por objetivo geral discutir os marcadores territoriais e geossímbolos da fé popular que subsistem em meio às modernidades múltiplas do espaço urbano de Ponta Grossa. Os municípios do Paraná Tradicional possuem suas histórias atreladas à expropriação de terras indígenas com a escravização dos nativos e de negros trazidos do continente africano, na consolidação de atividades econômicas ligadas à agropecuária. Hoje, percebe-se que a sociedade local resgata para o quotidiano moderno algumas características de suas origens no sentir-pensar-construir a cidade. Mesmo sendo Ponta Grossa a quarta maior cidade do Estado do Paraná, portanto com considerável grau de urbanização e modernidade, são preservados pela comunidade alguns marcadores territoriais que remetem a uma outra cidade, não perfeitamente alinhada às geoestruturas do capital. Entre olhos d’água, jazigos, santos canônicos e não canônicos, formata-se um corpus religioso-espiritual, dentro de uma relação secreta/emocional com o espaço. Inobstante, desde o método fenomenológico de análise, percebe-se que estes interditos espaciais personificam uma estratégia, mesmo que inconsciente, de resistência às imposições totalizantes da modernidade. Conclui-se, portanto, que os marcadores territoriais da fé popular descortinam a multiplicidade do urbano na medida que ressignificam a modernidade por meio de outras racionalidades envolvidas na formatação espacial.

Palavras-chave


Fé popular; Marcadores territoriais; Microterritórios; Fenomenologia espacial.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2447-1747.2021v30n1p227

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