A influência dos fluxos migratórios na construção da identidade territorial londrinense

Tatiana Colasante

Resumo


A relação entre o homem e o espaço é permeada pelos mais diferentes elementos simbólicos. A partir do seu estabelecimento em dada localidade, os sujeitos começam a criar laços de identidade não somente entre os membros dos grupos, mas com os elementos culturais que vão se formar da relação homem-espaço. O patrimônio cultural, enquanto manifestação material que se processa em um dado espaço, possibilita intervenções do poder público como forma de coerção e dominação política que podem resultar na destruição e/ou (re) construção de alguns símbolos da paisagem. Dessa forma, muitos elementos construídos como manifestação cultural coletiva, acabam não refletindo de maneira real a construção da história de um povo, geralmente, omitindo a cultura das minorias, como dos negros e dos indígenas em detrimento da cultura elitista. Elegendo o município de Londrina-PR como recorte espacial, utilizamos como metodologia a pesquisa qualitativa, privilegiando a análise da paisagem, com a realização de trabalho de campo pelo município a fim de identificar as principais manifestações culturais que os diversos fluxos migratórios deixaram como patrimônio cultural em Londrina e que ainda são percebidas nos dias atuais. A partir da visualização dos elementos na paisagem utilizando o método indutivo, obteve-se uma particularização do objeto de estudo. Como resultado, foi possível analisar a diversidade espacial, verificando-se isoladamente cada representante do patrimônio cultural de Londrina que ainda permanece materialmente na paisagem sendo, portanto, herança da cultura pioneira, trazendo a discussão da existência ou tentativa de construção de uma identidade territorial no município a partir de cada grupo étnico. Discutimos a imposição de uma identidade territorial baseada em elementos da cultura inglesa construídos pelo poder público como forma de city marketing, aproveitando o contexto histórico de Londrina ter sido oficialmente fundada em função da iniciativa de uma companhia de capital inglês. No entanto, destacamos que, além dos ingleses, a formação do município teve a participação de outros sujeitos como: imigrantes japoneses, portugueses, alemães, poloneses, italianos, espanhóis e árabes, migrantes paulistas, mineiros e nordestinos, além dos índios e caboclos que já viviam na região antes mesmo da colonização inglesa e que deixaram seu legado cultural impresso na paisagem londrinense. Com isso, verificamos que o poder público londrinense se manifesta como um aparelho de produção simbólica que manipula algumas tradições com o objetivo de forjar uma identidade arraigada aos elementos ingleses, como a construção de cabines telefônicas e pórticos de entrada no município em alusão à Inglaterra. Nessa perspectiva, defendemos que os japoneses conseguiram a manutenção dos seus valores identitários em Londrina, por intermédio de dezenas de elementos conservados na paisagem, além de motivar a população londrinense a utilizar os mesmos elementos culturais e a participar ativamente das expressões culturais dessa etnia, o que denota uma aproximação muito maior da identidade territorial londrinense com os japoneses do que efetivamente com os ingleses.

Palavras-chave


Identidade territorial; Fluxos migratórios; Londrina-PR.

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