Dia dos mortos e a vivência do luto: relato de experiência

Izabela Aparecida de Almeida Guedes, Maria Carolina Rissoni Andery, Claudia Marques Comaru

Resumo


O luto envolve dimensões individuais, familiares, socioculturais e espirituais, demandando do psicólogo abertura para dialogar com outras áreas de conhecimento, visando ampliar a compreensão da experiência de quem sofre a perda de alguém significativo. Este trabalho objetiva relatar a participação de três psicólogas brasileiras na festa do Dia dos Mortos, em Ocotepec, México. O método utilizado foi a etnografia, com registro das observações em diário de campo individuais. Observou-se a importância dos rituais para o enfrentamento do luto e suas diferentes expressões. A presença de diversos símbolos que resgatam a lembrança da pessoa falecida, preservando sua memória, possibilitou considerar o modelo de vínculos contínuos no enfrentamento de uma perda significativa. A morte é celebrada e versada coletivamente no México, enquanto é tema tabu no Brasil. A vivência desses ritos possibilitou compreender os atravessamentos sociais e culturais da morte e do luto, experiência salutar para a construção de uma clínica ampliada.


Palavras-chave


dia dos mortos; México; rituais de morte; luto; vínculos contínuos

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2021v12n1p226

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