Trauma e prematuridade: o que fazer diante do nascimento inesperado de um bebê?

Andréa Leão Leonardo-Pereira de Freitas, Eliana Rigotto Lazzarini

Resumo


Este artigo propõe um estudo teórico acerca do nascimento prematuro como um evento traumático para o bebê e a sua família, especialmente  para a mãe, que também pode ser considerada uma mãe prematura. Primeiramente, falaremos sobre o trauma no contexto específico do nascimento prematuro. O trauma do nascimento será apresentado como uma falha ambiental, que está relacionada à falta de provisão dos cuidados maternos, primordiais no estágio de dependência absoluta. Depois, apontaremos possibilidades de intervenção precoce, com o objetivo de evitar a cristalização da dor e do sofrimento psíquico ocasionados pelo nascimento antecipado. O trabalho psicanalítico individual ou em grupo de escuta, bem como a literatura e o Método Canguru são mencionadas como caminhos para as mães fazerem um contorno naquilo que é real, indizível traumático, para conseguirem estabelecer um vínculo afetivo com o seu filho.


Palavras-chave


prematuridade; trauma; psicanálise

Texto completo:

PDF

Referências


Agman, M., Druon, C., & Frichet, A. (1999). Intervenções Psicológicas em Neonatologia. In D. B. Wanderley (Ed.), Agora eu era o rei: Os entraves da prematuridade (pp. 17-34). Salvador, BA: Ágalma.

Almeida, M. B. V. (2004). Grupo Criar-Te: A criatividade em UTI neonatal. In R. O. Aragão (Ed.), O bebê, o corpo e a linguagem (pp. 191-200). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Altounian, J. (2008). Terror e esquecimento: A literatura como resgate da figura do pai. In A. Jacques, & C. Chabert (Eds.), O esquecimento do pai (pp. 27-42). São Paulo, SP: Edusp.

Andrade, M. A. G. (2002). Considerações sobre o desenvolvimento psicoafetivo do bebê pré-termo. In F. L. Corrêa et al., Novos olhares sobre a gestação e a criança até os 3 anos: Saúde perinatal, educação e desenvolvimento do bebê (pp. 438-457). Brasília, DF: L.G.E.

Battikha, E. C. (2001). Intervenção precoce no vínculo mãe-bebê especial em uma unidade de terapia intensiva neonatal. In M. C. Camarotti (Ed.), Atendimento ao bebê: Uma abordagem interdisciplinar (pp. 43-48). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Braga, N. A., & Morsch, D. S. (2003). Os primeiros dias na UTI. In M. E. L. Moreira (Ed.), Quando a vida começa diferente: O bebê e sua família na UTI Neonatal (pp. 51-68). Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz.

Brazelton, T. B. (1994). Momentos decisivos do desenvolvimento infantil. São Paulo, SP: Martins Fontes.

Ministério da Saúde. (2017). Norma de atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: Método-canguru. Brasília, DF: Autor. Disponível em https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_humanizada_metodo_canguru_manual_3ed.pdf

Camarotti, M. C. (2000). De braços vazios: Uma separação precoce. In C. M. F. Rohenkohl (Ed.), A clínica com o bebê (pp. 49-62). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Couronne, M. (1997). O prematuro: Um bebê inteiro à parte. In M. C. Busnel (Ed.), A linguagem dos bebês: Sabemos escutá-los? (pp. 136-145). São Paulo, SP: Escuta.

Costa, A. (2018). Considerações sobre transmissão e posição clínica no discurso. In M. D. Rosa, A. M. M. Costa, & S. Prudente (Ed.), As escritas do ódio: Psicanálise e política (pp. 53-66). São Paulo, SP: Escuta.

De la Puente, M. (2005). A teoria freudiana do trauma revisitada. Revista Brasileira de Psicanálise, 39(1), 141-153.

Druon, C. (1999). Ajuda ao bebê e aos seus pais em terapia intensiva neonatal. In D. B. Wanderley (Ed.), Agora eu era o rei: Os entraves da prematuridade (pp. 35-54). Salvador, SP: Ágalma.

Freud, S. (1990). Projeto para uma psicologia científica. In Publicações Pré-Psicanalíticas e Esboços Inéditos, (Vol. 1, pp. 212-305). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Trabalho original publicado em 1895).

Freud, S. (2014). Inibição, sintoma e angústia. In Inibição, sintoma e angústia, o futuro de uma ilusão e outros textos (Vol. 17, pp. 13-123). São Paulo, SP: Companhia das Letras (Trabalho original publicado em 1926).

Freud, S. (2019). A interpretação dos sonhos. In O trabalho dos sonhos (Vol. 4, pp. 318-557). São Paulo, SP: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1900).

Kehl, M. R. (1991). O sexo, a morte, a mãe e o mal. In A. Nestrovski, & M. Seligmann-Silva (Eds.), Catástrofe e representação (pp. 137-148). São Paulo, SP: Editora Escuta.

Klaus, M. H., & Kennell, J. H. (1992). Pais/Bebês – A formação do apego. Porto Alegre, RS: Artes Médicas.

Krodi, P. (2008). Cuidados paliativos em neonatologia: À escuta do indizível. In M. C. M. Kupfer, & D. Teperman (Eds.), O que os bebês provocam nos psicanalistas? (pp. 115-134). São Paulo, SP: Escuta.

Lamy, Z. C. (2003). Metodologia Canguru: Facilitando o encontro entre o bebê e sua família na UTI Neonatal. In M. E. L. Moreira (Ed.), Quando a vida começa diferente: O bebê e sua família na UTI Neonatal (pp. 141-156). Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz.

Lebovici, S. (1987). O bebê, a mãe e o psicanalista. Porto Alegre, RS: Artes Médicas.

Lima, L. A. (2008). Intervenção precoce em neonatologia. In E. S. N. Lange (Ed.), Contribuições à psicologia hospitalar: Desafios e paradigmas (pp.129-44). São Paulo, SP: Vetor.

Maldonado, M. T., & Canella, P. (2009). Recursos de relacionamento para profissionais de saúde: A boa comunicação com clientes e seus familiares em consultórios, ambulatórios e hospitais. São Paulo, SP: Novo Conceito.

Mathelin, C. (1999). O sorriso da Gioconda: Clínica psicanalítica com os bebês prematuros. Rio de Janeiro, RJ: Companhia de Freud.

Maury, M. (1999). Intervenções psicoterápicas nos bebês e seus pais no hospital. In A. Guedeney, & S. Lebovici (Eds.), Intervenções psicoterápicaspais/bebê (pp. 119-133). Porto Alegre, RS: Artes Médicas Sul.

Miele, M. J. (2004). Mãe de UTI: Amor incondicional. São Paulo, SP: Terceiro Nome.

Ocariz, M. C., Rudge, A. M., Sciulli, M. C. G., Pereira, M. L. I. E. M, & Navarro, N. C. (2014). O trauma, a palavra e a memória na Clínica do Testemunho. Revista Percurso, 52, 149-171.

Pheulpin, M. C. (2019). Quando falta a respiração: A escuta do corpo pulsional. In D. S. Chatelard, & M. C. Maesso (Eds.), O corpo no discurso psicanalítico (pp. 71-79). Curitiba: Appris Editora.

Pizzoglio, Y. Q. (1999). Presença de um psicanalista em reanimação neonatal como auxiliar da vida psíquica. In A. Guedeney, & S. Lebovici. Intervenções psicoterápicaspais/bebê (pp. 111-117). Porto Alegre: Artes Médicas Sul.

Rabello, A. (2004). A função simbólica da UTI neonatal. In Aragão, R. O. (Ed.). O bebê, o corpo e a linguagem (pp. 177-189). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Rosa, M. D. (2016). A clínica psicanalítica em face da dimensão sociopolítica do sofrimento. São Paulo, SP: Escuta.

Sanches, M. T. C., Costa, R., Azevedo, V. M. G. O., Morsch, D. S., & Lamy, Z. C. (2015.). Método Canguru no Brasil: 15 anos de política pública. São Paulo, SP: Instituto de Saúde.

Seligmann-Silva, M. (2005). Literatura e trauma: Um novo paradigma. In O local da diferença (pp. 103-118). São Paulo, SP: Editora 34.

Wilheim, J. (1997). O prematuro na UTI Neonatal. In O que é psicologia pré-natal? (pp. 87-92). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Winnicott, D. W. (1978). Recordações do nascimento, trauma do nascimento e ansiedade. In Textos selecionados: Da pediatria à psicanálise – Obras escolhidas (pp. 313-339). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Trabalho original publicado em 1949).

Winniccott, D. W. (1983). Teoria do relacionamento paterno-infantil. In O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional (pp. 38-54). Porto Alegre, RS: Artmed. (Trabalho original publicado em 1960).

Winniccott, D. W. (1990). A experiência do nascimento. In Natureza humana (pp. 165-172). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Trabalho original publicado em 1949).

Winniccott, D. W. (1994). O conceito de trauma em relação ao desenvolvimento do indivíduo dentro da família. In C. Winnicott, R. Shepherd, & M. Davis (Eds.), Explorações psicanalíticas D. W. Winnicott (pp.102-115). Porto Alegre, RS: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1965).

Winniccott, D. W. (1999). O recém-nascido e sua mãe. In Os bebês e suas mães (pp.29-42). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1964).

Winniccott, D. W. (1999). A dependência nos cuidados infantis. In Os bebês e suas mães (pp.72-78). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1970).

Zornig, S. M. A. J., Morsch, D. S. M., & Braga, N. A. (2004). Parto prematuro: Antecipação e descontinuidade temporal? In R. O. Aragão (Ed.), O bebê, o corpo e a linguagem (pp.165-174). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Zygouris, R. (1995). Sortilégios da cena traumática. In Ah! As belas lições! (pp. 229-250). São Paulo, SP: Escuta.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2020v11n3p138

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)