A formação em psicologia no contexto da democratização do ensino superior no Brasil

Fábio Henrique Dantas, Pablo Sousa Seixas, Oswaldo Hajime Yamamoto

Resumo


O Ensino Superior no Brasil carrega uma estrutura que privilegia os interesses da burguesia e exclui estudantes oriundos das classes trabalhadoras. Assim, o elitismo que é um elemento marcante nas Universidades, caracterizou também a formação em Psicologia ao longo da história. Esse trabalho objetiva analisar o cenário da formação em Psicologia no Brasil no contexto da democratização do Ensino Superior. Para isso, foi realizada uma investigação com informações de domínio público localizadas em banco de dados do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os principais resultados mostram que os cursos de Psicologia se distribuem geograficamente de forma heterogênea nas regiões brasileiras e que o perfil dos estudantes tem demonstrado mudanças concernentes às questões étnicas, ao número de alunos beneficiados por bolsas e financiamentos. Além disso, há o predomínio do curso noturno, o que pode supor que o curso de Psicologia seja composto majoritariamente por estudantes-trabalhadores e caracterizado por estudantes mulheres, brancas e jovens-adultas.


Palavras-chave


Formação do Psicólogo; Ensino superior; Democracia; Processos políticos.

Texto completo:

PDF

Referências


Antunes, M. A. M. (2004). A psicologia no Brasil no século XX: Desenvolvimento científico e profissional. In M. Massimi & M. C. Guedes (Eds.), História da psicologia no Brasil: Novos estudos (pp. 109-152). São Paulo, SP: EDUC/Cortez.

Bastos, A. V. B., Gondim, S. M. G., & Rodrigues, A. (2010). Uma categoria profissional em expansão: quantos somos e onde estamos? In A. V. B. Bastos & M. G. Gondim (Eds.), O trabalho do psicólogo no Brasil (pp. 32-44). Porto Alegre, RS: Artmed.

Botomé, S. P. A. (2010). Quem nós, psicólogos, servimos de fato? In O. Yamamoto & A. L. Costa (Eds.), Escritos sobre a profissão de psicólogo no Brasil (pp. 141-162). Natal, RN: EDUFRN. (Texto original publicado em 1979).

Câmara dos Deputados. (2016). Proposta de Emenda à Constituição nº 55. Brasília, DF.

Chauí, M. (2003). A universidade pública sob nova perspectiva. Revista Brasileira de Educação, 24, 5-15. doi:10.1590/S1413-24782003000300002

Corbucci, P. R. (2007). Desafios da educação superior e desenvolvimento no Brasil (Texto para discussão n. 1287). Recuperado em 14 março 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [IPEA]

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1287.pdf

Cunha, L. A. (2003). O Ensino Superior no octênio FHC. Educação & Sociedade, 24(82), 37-61. doi:10.1590/S0101-73302003000100003

Dias, S. J. (2010). Democratização, qualidade e crise da educação superior: Faces da exclusão e limites da inclusão. Educação & Sociedade, 31(113), 1223-1245. doi:10.1590/S0101-73302010000400010

Dourado, L. F. (2003, 7 de janeiro). Lula e a educação superior pública no Brasil. Jornal O Popular.

Gomes, A. M., & Moraes, K. N. (2012). Educação superior no Brasil contemporâneo: Transição para um sistema de massa. Educação & Sociedade, 33(118), 171-190. doi:10.1590/S0101-73302012000100011

Gomes, A. M., Oliveira, J. F., & Dourado, L. F. (2011). Políticas de educação superior no Brasil. In M. F. C. Paula & N. F. Lamarra (Eds.), Reformas e democratização da educação superior no Brasil e na América Latina (pp. 153-190). São Paulo, SP: Ideias & Letras.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2013). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: Síntese de indicadores 2012. Rio de Janeiro, RJ: Autor.

Lhullier, L. A. (2013). Quem é a psicologia brasileira? Mulher, psicologia e trabalho. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia.

Lisboa, F. S., & Barbosa, A. J. G. (2009). Formação em Psicologia no Brasil: Um perfil dos cursos de graduação. Psicologia: Ciência e Profissão, 29(4), 718-737. doi:10.1590/S1414-98932009000400006

Marques, E. P. S. (2010). O Programa Universidade para Todos e a inserção de negros na educação superior: A experiência de duas instituições de educação superior de Mato Grosso do Sul – 2005 – 2008 (Tese de doutorado). Recuperado de https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/2244

Martins, R. M. A. (2011). PROUNI: Uma política de democratização do ensino superior? (Dissertação de mestrado). Recuperado de http://locus.ufv.br/handle/123456789/3421

Mello, M. R. M. (2013). Cotas sociorraciais em universidades (Dissertação de mestrado). Recuperado de http://www.repositorio.ufal.br/handle/riufal/1250

Mello, S. L. (2010). Psicologia: Características da Profissão. In O. Yamamoto & A. L. Costa (Eds.), Escritos sobre a profissão de psicólogo no Brasil (pp. 141-162). Natal, RN: EDUFRN. (Texto original publicado em 1975)

Mesquita, M. C. G. D. (2010). O trabalhador estudante do ensino superior noturno: possibilidades de acesso, permanência com sucesso e formação (Tese de doutorado). Recuperado de http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/handle/tede/677

Munanga, K. (2014). Prefácio. In I. Carone & M. A. S. Bento (Eds.), Psicologia social do racismo: Estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil (pp. 9-11). Petrópolis, RJ: Vozes.

Parker, I. (2014). Revolução na Psicologia: Da alienação à emancipação. Campinas, SP: Alínea.

Paula, M. F. C., & Lamarra, N. F. (2011). Reformas e democratização da educação superior no Brasil e na América Latina. São Paulo, SP: Ideias & Letras.

Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. (2012). Lei nº 12.711. Brasília, DF.

Ribeiro, F. M., & Guzzo, R. S. L. (2017). Consciência de estudantes prounistas sobre sua inserção no ensino superior. Psicologia: Ciência e Profissão, 37(2), 418-431. doi:10.1590/1982-3703001472016

Santos, M., & Silveira, M. L. (2001). O Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI. São Paulo, SP: Record.

Seixas, P. S. (2014). A formação graduada em Psicologia no Brasil: Reflexão sobre os principais dilemas em um contexto Pós-DCN (Tese de doutorado). Recuperado de http://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/17401/1/PabloSS_TESE.pdf

Terribili, A., Filho. (2007). Educação superior no período noturno: Impacto do entorno educacional no cotidiano do estudante (Tese de doutorado). Recuperado de https://repositorio.unesp.br/handle/11449/104842

Vituri, R. C. I. (2014). Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para o ensino superior privado: Acesso, processos e contradições (Dissertação de mestrado). Recuperado de https://tede2.pucsp.br/handle/handle/9808

Yamamoto, O. H. (1987). A crise e as alternativas da psicologia. São Paulo, SP: EDICON.

Yamamoto, O. H. (2012). 50 anos de profissão: Responsabilidade social ou projeto ético-político. Psicologia: Ciência e Profissão, 32(número especial), 6-17. doi:10.1590/S1414-98932012000500002

Yamamoto, O. H., Falcão, J. T. R., & Seixas, P. S. S. (2011). Quem é o estudante de psicologia do Brasil? Avaliação Psicológica, 10(3), 209-232. Recuperado em 14 março 2018, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-04712011000300002

Yamamoto, O. H., Souza, J. A. J., Silva, N., & Zanelli, J. C. (2010). A formação básica, pós-graduada e complementar do psicólogo no Brasil. In A. V. B. Bastos & M. G. Gondim (Eds.), O trabalho do psicólogo no Brasil (pp. 45-65). Porto Alegre, RS: Artmed.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2019v10n3p76

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)