Indicadores de saúde mental em jovens: fatores de risco e de proteção

Hugo Ferrari Cardoso, Juliane Callegaro Borsa, Joice Dickel Segabinazi

Resumo


A juventude é caracterizada por importantes mudanças biológicas, psicológicas e sociais em que o indivíduo vivencia a conquista gradual da sua autonomia. Reconhecendo a juventude como uma importante etapa do ciclo vital, o presente estudo investigou indicadores de saúde mental e fatores de risco e de proteção, individuais e contextuais, em jovens universitários. Participaram do estudo 270 universitários (75,6% mulheres), com idades entre 18 e 24 anos (M = 20,3; DP = 1,87), provenientes de três diferentes estados brasileiros, os quais responderam a um protocolo composto por questionários padronizados. Os resultados indicaram que indivíduos com diagnóstico de depressão reportaram maiores níveis de afetos negativos, ansiedade e depressão. Além disso, os sintomas de depressão se correlacionaram negativamente com as variáveis individuais e contextuais que podem atuar como fatores de proteção para a saúde mental. Esses e outros resultados do presente estudo são discutidos com base na literatura.


Palavras-chave


juventude; depressão; fatores de risco

Texto completo:

PDF

Referências


American Psychiatric Association. (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5. 5a ed. Porto Alegre, RS: Artmed.

Arnett, J. J. (2011). Emerging adulthood(s): The cultural psychology of a new life stage. In J. A. Lene (Ed.), Bridging cultural and developmental approaches to psychology: New synthesis in theory, research, and policy (pp. 255-275). New York, NY: Oxford University Press.

Arteche, A. X., & Bandeira, D. R. (2003). Bem-estar subjetivo: Um estudo com adolescentes trabalhadores. Psico USF, 8(2) 193-201.

Backer-Fulghum, L. M., Patock-Peckham, J. A., King, K.M., Roufa, L., & Hagen L. (2012). The stress-response dampening hypothesis: How self-esteem and stress act as mechanisms between negative parental bonds and alcohol-related problems in emerging adulthood. Addictive Behaviors, 37(4), 477-484. doi:10.1016/j.addbeh.2011.12.012.

Baptista, M. N. (2009). Inventário de Percepção do Suporte Familiar (IPSF). São Paulo, SP: Vetor.

Baptista, M. N. (2011). Escala Baptista de Depressão- Versão Infanto-Juvenil (EBADEP-IJ). Manual Técnico não Publicado Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia, Universidade São Francisco.

Baptista, M. N. (2012). Escala Baptista de Depressão versão Adulto - EBADEP-A. São Paulo, SP: Vetor.

Baptista, M. N., & Cardoso, H. F. (2011). Escala de Percepção do Suporte Social –Versão Infanto-Juvenil (EPSUS-Ad). Manual Técnico não Publicado. Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia, Universidade São Francisco.

Baptista, M. N. & Cremasco, G. S. (2013). Propriedades psicométricas da escala baptista de depressão infanto-juvenil (EBADEP-IJ). Arquivos Brasileiros de Psicologia, 65(2), 198-213.

Baptista, M. N., Hauck Filho, N., & Cardoso, C. (2016). Depressão e bem-estar subjetivo em crianças e adolescentes: Teste de modelos teóricos. Psico, 47(4), 259-267. doi:10.15448/1980-8623.2016.4.23012.

Borsa, J. C., Damásio, B. F., Souza, D. S. de, Koller, S. H., & Caprara, G. V. (2015). Psychometric properties of the positivity scale - Brazilian version. Psicologia: Reflexão e Crítica, 28(1), 61-67. doi:10.1590/1678-7153.201528107.

Borsa, J. C., Damásio, B. F., & Koller, S. H. (2016). Escala de Positividade (EP): Novas evidências de validade no contexto brasileiro. Psico-USF, 21(1), 1-12.

Burrow A. L., O’Dell, A. C., & Hill, P. L. (2010). Profiles of a developmental asset: Youth purpose as a context for hope and well-being. Journal of Youth and Adolescence, 39(11):1265-73. doi:10.1007/s10964-009-9481-1.

Caprara, G. V., Steca, P., Alessandri, G., Abela, J. R. Z., & McWhinnie, C. M. (2010). Positive orientation: Explorations on what is common to life satisfaction, self-esteem, and optimism. Epidemiologia e Psichiatria Sociale, 19(1), 63-71. doi:10.1017/S1121189X00001615.

Cohen, J. (1988). Statistical power analysis for the behavioral sciences. 2ª ed. Hillsdale, NJ: Lawrence Erbaum.

Coimbra, C., Bocco, F., & Nascimento, M. (2005). Subvertendo o conceito de adolescência. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 57(1), 2-11.

Collins, P. Y., Patel, V., Joestl, S. S., March, D., Insel, T. R., Daar, A. S., & Stein, D. J. (2011). Grand challenges in global mental health. Nature, 475(7354), 27–30. doi:10.1038/475027a.

Coote, H. M. J., & MacLeod, A. K. (2012). A self-help, positive goal-focused intervention to increase well-being in people with depression a self-help, positive goal-focused intervention to increase well-being in people with depression. Clinical Psychology and Psychotherapy, 19, 305-315.

Coutinho, M. P. L., Pinto, A. V. L., Cavalcanti, J. G., Araújo, L. S., & Coutinho, M. L. (2016). Relação entre depressão e qualidade de vida de adolescentes no contexto escolar. Psicologia, Saúde & Doença, 17(3), 338-351. doi:10.15309/16psd170303www.sp-ps.pt338.

Damásio, B. F., Borsa, J. C., & Koller, S. H. (2014). Adaptation and psychometric properties of the Brazilian version of the Five-Item Mental Health Index (MHI-5). Psicologia: Reflexão e Crítica, 27(2), 323-330. doi:10.1590/1678-7153.201427213

Davies, C., Malik, A., Pictet, A., Blackwell, S. E., & Holmes, E. A. (2012). Involuntary memories after a positive film are dampened by a visuopatial task: unhelpful in depression but helpful in mania? Clinical Psychology and Psychotherapy, 19, 341-351.

Fergusson, D. M., McLeod, G. F. H., Horwood, L. J., Swain, N. R., Chapple, S., & Poulton, R. (2015). Life satisfaction and mental health problems (18 to 35 years). Psychological Medicine, 45, 2427–2436

Fomby, P., & Bosick, S.J. (2013). Family Instability and the Transition to Adulthood. Journal of Marriage and Family, 75, 1266-1287. doi:10.1111/jomf.12063

Gollan, J. K., Hoxha, D., Hunnicutt-Ferguson, K., Norris, C. J., Rosebrock, L., Sankin, L., & Cacioppo, J. (2016). Twice the negativity bias and half the positivity offset: Evaluative responses to emotional information in depression. Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry, 52, 166-170

Helsen, M., Vollebergh, W., & Meeus, W. (2000). Social support from parents and friends and emotional problems in adolescence. Journal of Youth and Adolescence, 29(3), 319-335.

Huebner, E. S., Drane, W., & Valois, R. F. (2000). Levels and demographic correlates of adolescence life satisfaction reports. School Psychology International, 21, 281-292.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (1999). População jovem no Brasil / IBGE. Departamento de População e Indicadores Sociais. Rio de Janeiro, RJ.

Jibeen, T. (2016). Perceived social support and mental health problems among Pakistani university students. Community Mental Health Journal, 52, 1004–1008.

Larose, S., & Bernier, A. (2001). Social support processes: Mediators of attachment state of mind and adjustment in late adolescence. Attachment & Human Development, 3(1), 96-120.

LeCloux, M., Maramaldi, P., Thomas, K., & Wharff, E. (2016). Family support and mental health service use among suicidal adolescents. Journal of Child and Family Studies, 25, 2597–2606. doi:10.1007/s10826-016-0417-6

Little, K., Hawkins, M. T., Sanson, A., Toumbourou, J. W., Smart, D., Vassallo, S., & O'Connor, M. (2012). The longitudinal prediction of alcohol consumption-related harms among young adults. Substance Use & Misuse, 47, 1303–1317. doi:10.3109/10826084.2012.699577.

Magalhães, E., & Calheiros, M. M. (2017). A dual-factor model of mental health and social support: Evidence with adolescents in residential care. Children and Youth Services Review, 79, 442-449.

Margullis, M., & Urresti, M. (2008). La juventud es más que una palabra. In M. Margullis (Ed.), La juventud es más que una palabra: Ensaios sobre cultura y juventud (pp. 13-30). Buenos Aires: Biblos

Nunes, T. G. R., Pontes, F. A. P., Silva, L. I. C., & Dell’Aglio, D.D. (2014). Fatores de risco e proteção na escola: Reprovação e expectativas de futuro de jovens paraenses. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, 18(2), 203-210.

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO (2004). Políticas Públicas de/para/com juventudes. Brasília, DF: UNESCO.

Orth, U., Robins, R. W., & Widaman, K.F. (2012). Life-span development of self-esteem and its effects on important life outcomes. Journal of Personality and Social Psychology, 102(6), 1271–1288. doi 10.1037/a0025558

Pesce, R. P., Assis, S. G, Santos, N., & Oliveira, R. V. Carvalhaes (2004). Risco e proteção: Em busca de um equilíbrio promotor de resiliência. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 20(2), 135-143. doi:10.1590/S0102-37722004000200006.

Poletto, M., & Koller, S. H. (2008). Contextos ecológicos: Promotores de resiliência, fatores de risco e de proteção. Estudos de Psicologia (Campinas), 25(3), 405-416. doi:10.1590/S0103-166X2008000300009.

Reid, G. M., Holt, M. K. Bowman, C. E., Espelage, D. L., & Green, J. G. (2016). Perceived social support and mental health among first-year college students with histories of bullying victimization. Journal of Child and Family Studies, 25, 3331–3341.

Ruthiga, J. C., Triskoa, J., & Chipperfield, J. G. (2014). Shifting positivity ratios: Emotions and psychological health in later life. Aging & Mental Health, 18(5), 547–553.

Segabinazi, J. D., Giacomoni, C. H., Dias, A. C. G., Teixeira, M. A. P., & Moraes, D. A. O. (2010). Desenvolvimento e validação preliminar de uma escala multidimensional de satisfação de vida para adolescentes. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(4),653-659. doi:10.1590/S0102-37722010000400009.

Segabinazi, J. D., Zortea, M., & Giacomoni, C. H. (2014). Avaliação de bem-estar subjetivo em adolescentes. In C. S. Hutz. (Ed.), Avaliação em Psicologia Positiva, (pp. 69-84). Porto Alegre, RS: Artmed.

Segabinazi, J. D., Zortea, M., Zanon, C., Bandeira, D. R., Giacomoni, C. H., & Hutz, C. S. (2012). Escala de afetos positivos e negativos para adolescentes: Adaptação, normatização e evidências de validade. Avaliação Psicológica, 11(1), 1-12.

Seow, L. S. E., Vaingankar, J. A., Abdin, E., Sambasivam, R., Jeyagurunathan, A., Pang, S., Chong, S. A., & Subramaniam, M. (2016). Positive mental health in outpatients with affective disorders: Associations with life satisfaction and general functioning. Journal of Affective Disorders, 190, 499–507

Silva, J. C., Morgado, J., & Maroco, J. (2012). The relationship between Portuguese adolescent perception of parental styles, social support, and school behaviour. Psychology, 3(7), 513-517

Sousa, J. (2006) Apresentação do Dossiê: A sociedade vista pelas gerações. Política & Sociedade: Revista de Sociologia Política, 5(8), 9-30.

Stankov, L. (2013). Depression and life satisfaction among European and Confucian adolescents. American Psychological Association, 25(4), 1220-1234.

Stoddard, S. A., Whiteside, L., Zimmerman, M. A., Walton, M. A., Cunningham, R., & Chermack, S. T. (2013). The relationship between cumulative risk and promotive factors and violent behavior among urban adolescents. American Journal of Community Psychology, 51, 57-65. doi:10.1007/s10464-012-9541-7.

Strelhow, M. R. W, Bueno, C. O., & Câmara, S. G. (2010). Percepção de saúde e satisfação com a vida em adolescentes: Diferença entre os sexos. Revista Psicologia e Saúde, 2(2), 42-49.

Thompson, R., Zuroff, D. C., & Hindi, E. (2012). Relationships and traumatic events as predictors of depressive styles in high-risk youth. Personality and Individual Differences 53, 474–479.

Thanoi, W., Phancharoenworakul, K., Thompson, E. A., Panitrat, R. & Nityasuddhi, D. (2010). Thai adolescent suicide risk behaviors: Testing a model of negative life events, rumination, emotional distress, resilience and social support. Pacific Rim International Journal of Nursing Research, 14(3), 187-202.

Watson, R. J., Grossman, A. H., & Russell, S. T. (2016). Sources of social support and mental health among LGB youth. Youth & Society, 4, 1–19.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2018v9n3suplp03

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)