Dispositivos e conexões da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Porto Alegre - RS

GabrielaLemos de Pinho Zanardo, Desirée Luzardo Cardozo Bianchessi, Kátia Bones Rocha

Resumo


O estudo objetiva conhecer os dispositivos de trabalho que favorecem a funcionalidade da Rede de Atenção Psicossocial, através da perspectiva de trabalhadores de Porto Alegre, e investigar como acontece a articulação entre os diferentes pontos da rede. Trata-se de pesquisa qualitativa, com delineamento exploratório-descritivo. Foram entrevistados treze profissionais da saúde dos diferentes níveis de atenção e as entrevistas foram submetidas à Análise de Conteúdo. Os resultados foram divididos em dois eixos temáticos: (1) dispositivos que auxiliam na formação e funcionalidade da rede e (2) conexão entre os pontos da rede: afastamentos e dificuldades na articulação. A partir do exposto, considera-se que as equipes aderem ao movimento de mudança da lógica de assistência e esforçam-se em estreitar a comunicação entre si, embora existam práticas ainda incipientes. Evidencia-se o fato de que há pouco contato entre os hospitais e demais serviços, sendo este um trabalho a ser desenvolvido nas equipes.


Palavras-chave


saúde mental; política de saúde; serviços de saúde pública; intervenção psicossocial

Texto completo:

PDF

Referências


Alves, D.S, & Guljor, A. P. (2004). O cuidado em saúde mental. In R. Pinheiro, & R. A. Mattos (Eds.). Cuidado: As fronteiras da integralidade (pp. 221-240). Rio de Janeiro, RJ: Hucitec.

Bardin, L. (2004). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Barros, R. E. M., Tung, T. C., & Mari, J. J. (2010). Serviços de emergência psiquiátrica e suas relações com a rede de saúde mental Brasileira. Revista Brasileira de Psiquiatria, 32(Supl. 2), S71-S77. doi:10.1590/S1516-44462010000600003

Bertagnoni, L., Marques, A. L. M., Muramoto, M. T., & Mângia, E. F. (2013). Núcleo de Apoio à Saúde da Família e Saúde Mental: Itinerários terapêuticos de usuários acompanhados em duas Unidades Básicas de Saúde. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, 23(2), 153-162. doi:10.11606/issn.2238-6149.v23i2p153-162

Bezerra, C. G., & Dimenstein, M. (2011). O fenômeno da reinternação: Um desafio à Reforma Psiquiátrica. Mental, 9(16), 303-326. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/pdf/mental/v9n16/a07v9n16.pdf.

Caçapava, J. R., & Colvero, L. A. (2008) Estratégias de atendimento em saúde mental nas Unidades Básicas de Saúde. Revista Gaúcha de Enfermagem, 29(4), 573-580. Recuperado de http://seer.ufrgs.br/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/7628/4683.

Campos, G. W. S., & Domitti, A. C. (2007). Apoio matricial e equipe de referência: Uma metodologia para gestão de trabalho interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde Pública, 3(2), 399-407. doi:10.1590/S0102-311X2007000200016.

Campos, R. T. O., Furtado, J. P., Passos, E., Ferrer, A. L., Miranda, L., & da Gama, C. A. P. (2009) Avaliação da rede de centros de atenção psicossocial: Entre a saúde coletiva e a saúde mental. Revista de Saúde Pública, 43(Suppl. 1), 16-22. doi:10.1590/S0034-89102009000800004

Castro, S. A., Furegato, A. R. F., & Santos, J. L. F. (2010). Características sociodemográficas e clínicas em reinternações psiquiátricas. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 18(4), [09 telas]. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/rlae/v18n4/pt_20.pdf.

Ceccim, R. B., & Ferla, A. A. (2006). Linha de cuidado: A imagem da mandala na gestão em rede de práticas cuidadoras para uma outra educação dos profissionais de saúde. In R. Pinheiro, & R. A. Mattos (Eds.). Gestão em redes: práticas de avaliação, formação e participação na saúde (pp. 165-184). Rio de Janeiro, RJ: Editora da Abrasco.

Cecílio, L. C. O. (2004) Modelos tecno-assistenciais em saúde: Da pirâmide ao círculo, uma possibilidade a ser explorada. In Ministério da Saúde. VER-SUS Brasil: caderno de textos. (pp. 90-106). Brasília, DF: Ministério da Saúde.

Cela, M., & Oliveira, I. F. de (2015). O psicólogo no Núcleo de Apoio à Saúde da Família: articulação de saberes e ações. Estudos de Psicologia, 20(1), 31-39. doi:10.5935/1678-4669.20150005

Chiaverini, D. H. (Ed.), Gonçalves, D. A., Ballester, D., Tófoli, L. F., Chazan, L. F., Almeida, N., & Fortes, S. (2011). Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília, DF: Ministério da Saúde, Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_matriciamento_saudemental.pdf

Dimenstein, M., & Liberato, M. (2009). Desinstitucionalizar é ultrapassar fronteiras sanitárias: O desafio da intersetorialidade e do trabalho em rede. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, 1(1), 1-10. Recuperado de http://stat.intraducoes.incubadora.ufsc.br/index.php/cbsm/article/viewFile/1016/1142.

Dimenstein, M., Amorim, A. K. A., Leite, J., Siqueira, K., Gruska, V., Vieira, C., ... & Bezerril, M. C. (2012). O atendimento da crise nos diversos componentes da rede de atenção psicossocial em Natal/RN. Polis e Psique, Número Temático(2), 95-127. https://doi.org/10.22456/2238-152X.40323

Ferro, L. F., Silva, E. C., Zimmermann, A. B., Castanharo, R. C. T. & Oliveira, F. R. L. de. (2014). Interdisciplinaridade e intersetorialidade na Estratégia Saúde da Família e no Núcleo de Apoio à Saúde da Família: Potencialidades e desafios. O Mundo da Saúde, 38(21), 129-138. doi: 10.15343/0104-7809.20143802129138

Flick, U. (2004). Uma introdução à pesquisa qualitativa. (2. Ed.). Porto Alegre, RS: Bookman.

Foucault, M. (2000). Microfísica do Poder. (15. Ed.) Rio de janeiro, RJ: Edições Graal.

Lancetti, A., & Amarante, P. (2006). Saúde Mental e Saúde Coletiva. In G. W. S. Campos, M. C. S. Minayo, M. Akerman, M. Drumond Júnior, Y. M. Carvalho (Eds.). Tratado de Saúde Coletiva (pp. 615-634). Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz; São Paulo, SP: Hucitec.

Lapischies, S. R. C., Lima, Z. G., Jardim, V. M. R., Coimbra, V. C. C., & Kantorski, L. P. (2012) O trabalho em serviços da rede de atenção psicossocial: Dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Cogitare Enfermagem, 17(4), 697-702. doi:10.5380/ce.v17i4.30376

Lemke, R. A., & Silva, R. A. N. (2010). A busca ativa como princípio político das práticas de cuidado no território. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 10(1), 281-295. Recuperado de http://www.revispsi.uerj.br/v10n1/artigos/pdf/v10n1a18.pdf.

Ministério da Saúde. (2005). Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. 6ª edição. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Guia_Vig_Epid_novo2.pdf

Ministério da Saúde. (2008). Gabinete do Ministro. Portaria nº 154 de 24 de janeiro de 2008. Cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt0154_24_01_2008.html

Ministério da Saúde. (2011). Gabinete do Ministro. Portaria nº 2.448 de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2488_21_10_2011.html

Ministério da Saúde. (2011/2013). Gabinete do Ministro. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011 (Republicada em 2013). Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União: Brasília, DF. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html

Ministério da Saúde (2012a). Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União: Brasília, DF. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html

Ministério da Saúde. (2012b). Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Recuperado de http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/pnab.pdf

Ministério da Saúde. (2013). Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica: Saúde Mental - 34. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Recuperado de http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_34.pdf

Parente, C. J. S., Mendes, L. P. F., Souza, C. N. S., Silva, D. K. M., Silva, J. C., Parente, A. C. B. V., & Parente, A. C. M. (2007). O fenômeno de revolving door em hospitais psiquiátricos de uma capital do nordeste brasileiro. Revista Mineira de Enfermagem, 11(4), 381-386. Recuperado de http://www.reme.org.br/content/imagebank/pdf/v11n4a06.pdf.

Prefeitura Municipal de Porto Alegre. (2017). Secretaria Municipal de Saúde. Relatório de Gestão do 1º Quadrimestre de 2017. Secretaria Municipal de Saúde: Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Recuperado de http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/sms/usu_doc/relatorio_gestao1quadrimestre_2017.pdf

Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. (2001). Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União: Brasília, DF. Recuperado de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm

Ramos, D. K. R., Guimarães, J., & Enders, B. C. (2011). Análise contextual de reinternações frequentes de portador de transtorno mental. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 15(37), 519-527. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832011005000015

Ramos, D. K. R, & Guimarães, J. (2013). Novos serviços de saúde mental e o fenômeno da porta giratória no Rio Grande do Norte. Revista Mineira de Enfermagem, 17(2), 440-445. doi:10.5935/1415-2762.20130033

Rocha, K. B., Pérez, K., Rodríguez-Sanz, M., Alonso, J., Muntaner, C., & Borrell, C. (2013). Inequalities in the Use of Services Provided by Psychiatrists in Spain: A Multilevel Study. Psychiatric Services, 64(9), 901-907. doi: 10.1176/appi.ps.201100419.

Sundfeld, A. C. (2010). Clínica ampliada na atenção básica e processos de subjetivação: Relato de uma experiência. Physis Revista de Saúde Coletiva, 20(4), 1079-1097. doi:10.1590/S0103-73312010000400002

Salles, M. M., & Barros, S. (2007). Reinternação em hospital psiquiátrico: A compreensão do processo saúde/doença na vivência do cotidiano. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 41(1), 73-81. doi:10.1590/S0080-62342007000100010

Venturini, E. (2010). A desinstitucionalização: limites e possibilidades. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 20(1), 138-151. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rbcdh/v20n1/18.pdf.

Zambenedetti, G., & Silva, R. A. N. (2008). A noção de rede nas reformas sanitária e psiquiátrica no Brasil. Psicologia em Revista, 14(1), 131-150. Recuperado de http://www1.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20081029093450.pdf.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2018v9n3p80

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)