Características pessoais dos empreendedores: clarificação conceitual dos construtos e definições da literatura recente (2010-2015)

Pedro Afonso Cortez, Heila Magali da Silva Veiga

Resumo


O estudo das características pessoais dos empreendedores possui longa data e ampla influência interdisciplinar. Pela diversidade de contribuições, identifica-se na literatura confusão e sobreposição conceitual. Nesse sentido, o objetivo geral do estudo foi clarificar os conceitos relativos às características pessoais dos empreendedores presentes na literatura recente. Para tanto, analisaram-se seis construtos com recorrência na literatura em língua portuguesa e inglesa empregados em artigos resgatados por meio do Portal de Periódicos da CAPES publicados entre os anos de 2010 e 2015. Os resultados confirmaram as dificuldades teórico-conceituais existentes na literatura, especificamente em relação aos construtos competências empreendedoras, perfil empreendedor, personalidade empreendedora, potencial empreendedor e performance empreendedora, sendo claramente distinguível dos demais apenas o conceito de atitude empreendedora. Com isso, sugerem-se estudos futuros abrangendo outros conceitos sobre o fenômeno, a fim de aprimorar a estruturação do corpo de conhecimento sobre as características pessoais dos empreendedores.


Palavras-chave


empreendedorismo; atitudes; traços de personalidade; perfil empreendedor; revisão de literatura.

Texto completo:

PDF

Referências


Arribas, I., Hernandez, P., Urbano, A., & Vila, J. (2012). Are social and entrepreneurial attitudes compatible? A behavioral and self-perceptional analysis. Management Decision, 50(1), 1739–1757. doi:10.1108/00251741211279576

Bastos, A. V. B. (1994). Confusão conceitual no estudo de atitudes no trabalho. Temas em Psicologia, 2(3), 97–108. Recuperado em http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v2n3/v2n3a10.pdf

Boyatzis, R. E. (1982). The competent manager: A model for effective performance. New Jersey, NY: John Wiley & Sons.

Brants, J., Oliveira, C., Casemiro, Í., Licório, A., & Reboli, R. (2015). Empreendedorismo acadêmico no curso de administração da UNIR. Revista Pretexto, 16(2), 59-74. doi:10.21714/pretexto.v16i2.2368

Braudel, F. (1982). Civilization and Capitalism, 15th-18th Century: The wheels of commerce (Vol. 2). Oakland, CA: University of California Press.

Choe, K. L., Loo, S. C., & Lau, T. C. (2013). Exploratory study on the relationship between entrepreneurial attitude and firm’s performance. Asian Social Science, 9(4), 144–149. doi:10.5539/ass.v9n4p144

Coelho-Junior, F. A. C., & Borges-Andrade, J. E. (2011). Efeitos de variáveis individuais e contextuais sobre desempenho individual no trabalho. Estudos de Psicologia, 16(2), 111-120. doi:10.1590/S1413-294X2011000200001

Cooley, L. (1990). Entrepreneurship training and the strengthening of entrepreneurial performance. Washington: USAID.

Dana, L. P. (2007). Handbook of research on ethnic minority entrepreneurship: A coevolutionary view on resource management. Northampton, MA: Edward Elgar Publishing.

Frese, M., & Gielnik, M. M. (2014). The psychology of entrepreneurship. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior, 1(1), 413–438. doi:10.1146/annurev-orgpsych-031413-091326

Fontanella, B. J. B., Luchesi, B. M., Saidel, M. G. B., Ricas, J., Turato, E. R., & Melo, D. G. (2011). Amostragem em pesquisas qualitativas: Proposta de procedimentos para constatar saturação teórica. Cadernos de Saúde Pública, 27(2), 388-394. doi:10.1590/S0102-311X2011000200020

Garzón, M. D. (2010). A comparison of personal entrepreneurial competences between entrepreneurs and CEOs in service sector. Service Business, 4(3), 289–303. doi:10.1007/s11628-009-0090-6

Hébert, R. F., & Link, A. (2010). Historical perspectives on the entrepreneur. Foundations and Trends in Entrepreneurship, 2(4), 261-408. doi:10.1561/0300000008

Hisrich, R., Langan-Fox, J., & Grant, S. (2007). Entrepreneurship Research and Practice: a call to action for psychology. American Psychologist, 62(6), 575–589. doi:10.1037/0003-066X.62.6.575

Hoselitz, B. F. (1952). Entrepreneurship and Economic Growth. American Journal of Economics and Sociology, 12(1), 97–111. doi:10.1111/j.1536-7150.1952.tb00480.x

Hoselitz, B. F. (1957). Noneconomic factors in economic development. The American Economic Review, 47(2), 28–41.

Iizuka, E. S., & Moraes, G. H. S. M. (2014). Análise do potencial e perfil empreendedor do estudante de administração e o ambiente universitário: Reflexões para instituições de ensino. Administração: Ensino e Pesquisa, 15(3), 593-630. doi:10.13058/raep.2014.v15n3.16

John, O. P., & Srivastava, S. (1999). The big five trait taxonomy: History, measurement, and theoretical perspectives. In O. P., John, R. W., Robins, & L. A. Pervin, (Eds.). Handbook of personality: Theory and research (p. 102-138). New York, NY: Guilford Press.

Lindzey, G., Gilbert, D., & Fiske, S. T. (1998). The handbook of social psychology. London, UK: Oxford University Press.

Lope-Pihie, Z. A., & Bagheri, A. (2011). Malay secondary school students’ entrepreneurial attitude orientation and entrepreneurial self-efficacy: A descriptive study. Journal of Applied Sciences, 11(2), 316–322. doi:10.3923/jas.2011.316.322

Man, T. W., & Lau, T. (2000). Entrepreneurial competencies of SME owner/managers in the Hong Kong services sector: A qualitative analysis. Journal of Enterprising Culture, 8(3), 235–254. doi:10.1142/S0218495800000139

Mathieu, C., & St-Jean, É. (2013). Entrepreneurial personality: The role of narcissism. Personality and Individual Differences, 55(5), 527–531. doi:10.1016/j.paid.2013.04.026

Matthews, C. H., & Moser, S. B. (1996). A Longitudinal Investigation of the Impact of Family Background. Journal of Small Business Management, 34(2), 29-43.

McClelland, D. C. (1965). Achievement-Motivation can be developed. Harvard Business Review, 43(6), 6-25. doi:10.1225/65609

McClelland, D. C. (1972). A Sociedade Competitiva Realização e Progresso Social. Rio de Janeiro, RJ: Expressão e Cultura.

McCline, R. L., Bhat, S., & Baj, P. (2000). Opportunity recognition: An exploratory investigation of a component of the entrepreneurial process in the context of the health care industry. Entrepreneurship Theory and Practice, 25(2), 81–94. https://doi.org/10.1177%2F104225870002500205

Morales, C., & Feldman, P. M. (2013). Entrepreneurial skills, significant differences between Serbian and German entrepreneurs. Journal of CENTRUM Cathedra, 6(1), 1-27. Recuperado de https://ssrn.com/abstract=2236459

Murray, E. J., & Cabral, Á. (1978). Motivação e Emoção. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Obschonka, M., Schmitt-Rodermund, E., Silbereisen, R. K., Gosling, S. D., & Potter, J. (2013). The regional distribution and correlates of an entrepreneurship-prone personality profile in the United States, Germany, and the United Kingdom: A socioecological perspective. Journal of Personality and Social Psychology, 105(1), 104–122. doi:10.1037/a0032275

Obschonka, M., Silbereisen, R. K., & Schmitt-Rodermund, E. (2012). Explaining entrepreneurial behavior: Dispositional personality traits, growth of personal entrepreneurial resources, and business idea generation. Career Development Quarterly, 60(2), 178–190. doi:10.1002/j.2161-0045.2012.00015.x

O’Reilly, M., & Parker, N. (2013). ‘Unsatisfactory Saturation’: a critical exploration of the notion of saturated sample sizes in qualitative research. Qualitative Research, 13(2), 190-197. doi:10.1177/1468794112446106

Polit, D. F., & Beck, C. T. (2006). The content validity index: Are you sure you know what's being reported? Critique and recommendations. Research in Nursing & Health, 29(5), 489-497. doi:10.1002/nur.20147

Rezaei-Zadeh, M., Hogan, M., O’Reilly, J., Cleary, B., & Murphy, E. (2014). Using interactive management to identify, rank and model entrepreneurial competencies as universities’ entrepreneurship curricula. The Journal of Entrepreneurship, 23(1), 57–94. doi:10.1177/0971355713513353

Robinson, P., B., Stimpson, D., V., Huefner, J., & Hunt, H., K. (1991). An attitude approach to the prediction of entrepreneurship. Entrepreneurship: Theory and Practice, 15(4), 13–31. https://doi.org/10.1177%2F104225879101500405

Santandreu-Mascarell, C., Garzon, D., & Knorr, H. (2013). Entrepreneurial and innovative competences, are they the same? Management Decision, 51(5), 1084–1095. doi:10.1108/MD-11-2012-0792

Santos, S. C., Caetano, A., Curral, L., & Spagnoli, P. (2010). How to assess entrepreneurial potential. Washigton, DC: International Council for Small Business. Recuperado de https://goo.gl/BWZCpk

Scherer, R. F., Adams, J. S., & Wiebe, F. A. (1989). Developing entrepreneurial behaviours: A social learning theory perspective. Journal of Organizational Change Management, 2(3), 16–27. doi:10.1108/EUM0000000001186

Schmidt, S., & Bohnenberger, M. C. (2009). Perfil Empreendedor e Desempenho Organizacional. Revista de Administração Contemporânea, 13(3), 450-467. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65552009000300007

Schmitt-Rodermund, E. (2004). Pathways to successful entrepreneurship: Parenting, personality, early entrepreneurial competence, and interests. Journal of Vocational Behavior, 65(3), 498–518. doi:10.1016/j.jvb.2003.10.007

Schmitt-Rodermund, E. (2007). The long way to entrepreneurship: Personality, parenting, early interests, and competencies as precursors for entrepreneurial activity among the “Termites”. In R. K., Silbereisen, & R. M. Lerner (Eds.), Approaches to Positive Youth Development (pp. 205–224). London, UK: Sage Publication.

Schröder, E., & Schmitt-Rodermund, E. (2006). Crystallizing enterprising interests among adolescents through a career development program: The role of personality and family background. Journal of Vocational Behavior, 69(3), 494–509. doi:10.1016/j.jvb.2006.05.004

Schumpeter, J. A. (1939). Business Cycles (Vol. 1). London, UK: Cambridge University Press.

Schumpeter, J. (1985). Teoria do desenvolvimento econômico: Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo, SP: Abril Cultural.

Shane, S., & Nicolaou, N. (2013). The genetics of entrepreneurial performance. International Small Business Journal, 31(5), 473–495. doi:10.1177/0266242613485767

Siqueira, M. M. M. (2002). Medidas do comportamento organizacional. Estudos de Psicologia, 7(S), 11-18. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2002000300003

Souza, J. R. M. D., & Silva, C. E. (2011). Metodologias de estímulo a criatividade e inovação no desenvolvimento de empreendedores: Uma revisão teórica. Revista Brasileira de Administração Científica, 2(1), 68-86. doi:10.6008%2FESS2179-684X.2011.001.0004

Tamayo, N., & Abbad, G. D. S. (2006). Autoconceito profissional e suporte à transferência e impacto do treinamento no trabalho. Revista de Administração Contemporânea, 10(3), 9-28. doi:10.1590/S1415-65552006000300002

Trotter, R. T. (2012). Qualitative research sample design and sample size: Resolving and unresolved issues and inferential imperatives. Preventive Medicine, 55(5), 398–400. doi:10.1016/j.ypmed.2012.07.003

Vale, G. M. V. (2014). Empreendedor: Origens, concepções teóricas, dispersão e integração. RAC Revista de Administração Contemporânea, 18(6), 874-891. Recuperado de http://www.redalyc.org/html/840/84032519009/

Vérin, H. (1982). Entrepreneurs, entreprise: histoire d’une idée (Vol. 2). Paris, IDF: Presses Universitaires de France.

Weber, M. (1958). A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo, SP: Pioneira.

Zampier, M. A., & Takahashi, A. R. (2011). Competências empreendedoras e processos de aprendizagem empreendedora: Modelo conceitual de pesquisa. Cadernos EBAPE.BR, 9(1), 564-585. doi:10.1590/S1679-39512011000600007




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2018v9n3p58

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)