Fica um grande vazio: relatos de mulheres que experienciaram morte fetal durante a gestação

Débora Bicudo Faria-Schützer, Gabriel Lavorato Neto, Claudia Aparecida Marchetti Duarte, Carla Maria Vieira, Egberto Ribeiro Turato

Resumo


O objetivo deste artigo é discutir vivências emocionais de mulheres que tiveram perda fetal após vinte semanas de gravidez, coletadas em pesquisa de campo. Utilizou-se o método clínico-qualitativo. A amostra de sujeitos foi intencional e fechada pelo critério de saturação de informações. Utilizou-se a técnica de entrevista semidirigida de questões abertas com cinco mulheres. O tratamento de dados incluiu: transcrição das entrevistas, leituras flutuantes e categorização em tópicos através de análise de conteúdo. Da análise qualitativa dos dados emergiram quatro categorias: 1) “Recebi a notícia da perda...”; 2) “Meu filho nasceu morto...”; 3) “Por que comigo?”; 4) “Eu me sinto assim...”.  Identificou-se a necessidade de assegurar que as mães e familiares ingressem no processo de elaboração do luto perinatal que refletirá na minimização de prejuízos psicológicos. Deve ser priorizado um suporte por parte da equipe de saúde envolvida, que considere a mulher desde o momento em que é dada a notícia do óbito.


Palavras-chave


morte fetal; luto; bem-estar materno; serviços de saúde materna; pesquisa qualitativa

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2014v5n2p113

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