(Des) cuidando de si: como auxiliares de enfermagem percebem a tarefa de cuidar

Lilian Lopes Sharovsky, Cícera Fortes, Fabiana Biliu, Marcilene Floriano, Talita Foglino, Bellkiss Romano

Resumo


Buscamos compreender a percepção de auxiliares de enfermagem sobre o que representa o cuidado consigo e com o outro e investigar a percepção das mesmas sobre a influência de sua atividade profissional no desencadeamento da depressão. Trata-se de um estudo qualitativo realizado em hospital terciário de alta complexidade na cidade de São Paulo. Participaram 6 auxiliares de enfermagem, afastadas da assistência direta ao paciente em função do diagnóstico de depressão, definido previamente pela equipe médica. Aplicou-se entrevista semidirigida e foi utilizado o critério de saturação para compor amostra. Os dados foram tratados por análise do conteúdo. Obtivemos quatro categorias de resposta: 1) Sobrecarga emocional 2) Preocupação com a humanização do cuidado 3) Sobrecarga do ambiente de trabalho e urgência de adaptação 4) Cuidar é um sacerdócio. As participantes não atribuíram o adoecimento psíquico exclusivamente à atividade profissional em si, mas à somatória de conflitos existenciais. Os achados podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias de intervenção psicológica específica para esta população, como forma de promoção e prevenção em saúde mental.


Palavras-chave


Depressão; Pesquisa Qualitativa; Enfermagem.

Texto completo:

PDF

Referências


Baggio, M. A. (2006). O significado de cuidado para profissionais da equipe de enfermagem. Revista Eletrônica de Enfermagem, 08 (1), 09 – 16. Recuperado de http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen

Bowers, L., Simpson, A., Alexander, J., Hackney, D., Nijman, H., Grange, A., et al. (2005). The nature and purpose of acute psychiatric wards: The Tompkins acute ward study. Journal of Mental Health, 14(6), 625-635

Calais, S. L. (2003) Diferenças entre homens e mulheres na vulnerabilidade ao stress. In M. E. N. Lipp (Org.), Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress: teoria e aplicações clinicas (pp. 87-89). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Currid, T. J. (2008). The lived experience and meaning of stress in acute mental health nurses. British Journal of Nursing, 17(14), 880-884.

Deslandes, S.(2005). A ótica de gestores sobre a humanização da assistência nas maternidades municipais do Rio de Janeiro. Ciência & Saúde Coletiva, 10(3), 615-626. Recuperado de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232005000300018

Elias, M. A., & Navarro, V. L. (2006). A relação entre o trabalho, a saúde e as condições de vida: negatividade e positividade no trabalho das profissionais de enfermagem de um hospital escola. Revista Latinoamericana de Enfermagem, 14 (4), 517-25.

Fontana, R.T. (2010). Humanização no processo de trabalho em enfermagem: uma reflexão. Revista Rene Fortaleza, 11(1), 200-207. Recuperado de http://www.revistarene.ufc.br/vol11n1_pdf/a21v11n1.pdf

Jenkins, R., Elliot ,P.( 2004). Stressors burnout and social support: nurses in acute mental health settings. Journal of Advanced Nursing, 48(6), 622-631.

Kessler RC, Berglund PA, Demler O, Jin R, Walters EE. (2005). Lifetime prevalence and age-of-onset distributions of DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey Replication (NCS-R). Archives of General Psychiatry, 62(6), 593-602.

Laposa, J. M., Alden, L. E., Fullerton, L. M. (2003). Work stress and posttraumatic stress disorder in ED nurses/personnel. Journal of Emergency Nursing, 29(1), 23-28.

Lipp, M. E. N., Frare, A., & Santos F. U. (2007). Efeitos de variáveis psicológicas na reatividade cardiovascular em momentos de stress emocional. Estudos de Psicologia (Campinas), 24(2), 161-167.

Mazure, C.M., Keita, G.P., Blehar, M.C. (2002). Suummit on women and depression: procededings and recommendations. Washington, DC: American Psychological Association. Recuperado de www.apa.org/pi/wpo/women&depression.pdf

Mealer, M., April, S., Berg, B.,Rothbaum, B., Moss, M. (2007). Increased prevalence of post-traumatic stress disorder symptoms in critical care nurses. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 175 (7), 693-697. Recuperado de http://www.atsjournals.org/doi/full/10.1164/rccm.200606-735OC

Minayo, M.C. de S. (2010). O desafio do conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. (12ª edição). São Paulo: Hucitec- Abrasco.

Ministério da Saúde. (2004). HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão do SUS. Ministério da Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Brasília: Ministério da Saúde.

Monteiro, J. K., Oliveira, A. L. L. D., Ribeiro, C. S., Grisa, G. H., & Agostini, N. D. (2013). Mental illness of workers in intensive care units. Psicologia: Ciência e Profissão, 33 (2), 366-379. Universidade do Vale do rio dos Sinos.

Plastino, C. A. (2009). A dimensão constitutiva do cuidar In Maia, M.S (org), Por uma ética do cuidado (pp. 53-70). Rio de Janeiro: Garamond.

Richards, D.A., Bee, P., Barkham, M., Gilbody, S.M., Callul, J.Glanville, J. (2006). The prevalence of nursing staff stress on adult acute psychiatric in- patient wards: a systematic review. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 41, 34-43.

Rizzotto, L.F. (2002). As políticas de saúde e a humanização da assistência. Revista Brasileira de Enfermagem, 55(2), 196-9.

Santana, L. L., Miranda, F. M. D., Karino, M. E., Baptista, P. C. P., Felli, V. E. A., & Sarquis, L. M. M. (2013). Cargas e desgastes de trabalho vivenciados entre trabalhadores de saúde em um hospital de ensino. Revista gaúcha de enfermagem, 34 (1), 64-70.

Souza, M.L., Sartor, V.V.B., Padilha, M.I.C.S., & Prado, M.L. (2005). O cuidado em enfermagem- Uma aproximação teórica. Texto e Contexto Enfermagem, 14(2), 266-70.

Stumm, E. M. F., Scapin, D., Fogliatto, L., Kirchner, R. M., & Hildebrandt, L. M. (2009). Qualidade de vida, estresse e repercussões na assistência: equipe de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva. Textos & Contextos (Porto Alegre), 8 (1).

Turato, E. R. (2005). Métodos qualitativos e quantitativos na área da saúde: definições, diferenças e seus objetos de pesquisa. Revista de Saúde Pública, 39 (3), 507-14.

Vera, J.L. (2010). Ser cuidador: el ejercicio de cuidar. Cuadernos de psiquiatria y psicoterapia del nino y del adolescente, 50, 55-99. Recuperado de http://www.sepypna.com/articulos/ser-cuidador-ejercicio-cuidar/

Vere-Jones, E. (2007). Harming the healers. Nursing Times, 103( 27), 16-17. Viana, C. P. (2001). Sexo e gênero na docência. Cadernos Pagu, 17-18, 81-103. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/cpa/n17-18/n17a03.pdf

Winnicott, D. (1990). Natureza humana. Rio de Janeiro: Imago. Woods, S.J., Hall, et al. (2008). Physical health and posttraumatic stress disorder symptoms in women experiencing intimate partner violence. Journal of Midwifery & Women's Health 3(6), 538-46. doi: 10.1016/j.jmwh.2008.07.0004.

World Health Organization. (2008). Estatísticas sobre gênero e força de trabalho em saúde Spotlight: estatísticas da força de trabalho em saúde. Edição No. 2. Recuperado de http://www.who.int/hrh/statistics/Spotlight_2_PO.pdf

Zoboli, E.L.C.P. (2004). A redescoberta da ética do cuidado: o foco e a ênfase nas relações. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 38 (1), 21-7.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2014v5n2p96

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)