Luto antecipatório do cuidador familiar no transplante de células tronco-hematopoéticasYETICAS

Thaísa Santos Madeira, Érika Arantes Oliveira-Cardoso, Manoel Antônio Santos

Resumo


Este estudo teve por objetivo conhecer as percepções e vivências do acompanhante familiar diante do adoecer e do transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) à luz da teoria do luto antecipatório. Trata-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa, do qual participaram 11 familiares. As entrevistas individuais foram organizadas pela análise temática e interpretados em três níveis contextuais, envolvendo mudanças intrapsíquicas, interacionais com o paciente e no âmbito familiar/social. Constatou-se que o familiar experimenta sentimentos e reações emocionais consistentes com o processo de enlutamento. As mudanças na interação com o paciente acontecem desde os primeiros sintomas e intensificam-se com a necessidade de fornecer cuidado integral na enfermaria durante o transplante. Transformações na dinâmica familiar acontecem em resposta às perdas de papéis sociais, ocupacionais e seus impactos financeiros. Ademais, o sofrimento experimentado pelo cuidador durante esse processo não é legitimado, tanto pela família quanto pela equipe de saúde, já que do acompanhante se exige que seja uma fonte de apoio inabalável.


Palavras-chave


transplante de células-tronco hematopoéticas; transplante de medula óssea; cuidadores; luto antecipatório; estados emocionais

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2020v11n2p197

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DOI: 10.5433/2236-6407 

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