A percepção do paciente sobre adesão à medicação antidepressiva

Lilian Lopes Sharovsky, Sílvia C. S. Gonçalves, Patrícia R. Vieira, Natália Camargo, Luciene Soares, Bellkiss W. Romano

Resumo


Busca-se, no presente estudo, compreender qual a percepção do profissional de saúde sobre o fenômeno da não adesão à medicação, quando está no lugar de paciente. Os participantes foram profissionais da área da saúde de um hospital de referência na cidade de São Paulo que estavam sendo atendidos no Setor de Medicina do Trabalho, e que tinham indicação médica de tratamento com antidepressivos. Utilizou-se o método clínico-qualitativo, sendo a coleta de dados realizada por meio de entrevistas semidirigidas. Os resultados obtidos indicaram que os pacientes percebem a medicação como desencadeadora de efeitos colaterais, relatam medo da dependência à medicação, e, ainda medo da perda do próprio domínio psíquico caso sigam a prescrição, apesar de serem profissionais da saúde. Conclui-se que as crenças prévias dos pacientes, tanto sobre a sua problemática emocional quanto sobre a utilização do antidepressivo influenciam a não adesão à medicação, apesar de serem profissionais da saúde.

Palavras-chave


recusa do paciente ao tratamento; depressão; saúde ocupacional; pesquisa qualitativa

Texto completo:

PDF

Referências


Bardin, L. (2007). Análise de conteúdo (L.A. Reto & A. Pinheiro, Trad.). São Paulo: Edições 70, Livraria Martins Fontes (Obra Original publicada em 1977).

Campos, E. P. (2005). Quem cuida do cuidador: Uma proposta para os profissionais da saúde. Petrópolis, RJ: Vozes.

Cunha, M. F. & Gandini, R. de C. (2009). Adesão e não-adesão ao tratamento farmacológico para depressão. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 25(3), 409- 418. doi: 10.1590/S0102-37722009000300015.

De Schryver, E. L., van Gijn, J., Kappelle, L. J., Koudstaal, P. J., Algra, A., Dutch, & TIA trial and SPIRIT study groups (2005). Non-adherence to aspirin or oral anticoagulants in secondary prevention after ischaemic strok. J Neurol, 252(11), 1315-21. https://bit.ly/33oey50

DiMatteo, M. R.(2004). Variations in patients' adherence to medical recommendations: A quantitative review of 50 years of research. Med Care, 42(3), 200-9.

DiMatteo, M. R., Lepper, H. S., & Croghan, T. W. (2000). Depression is a risk factor for noncompliance with medical treatment: Meta-analysis of the effects of anxiety and depression on patient adherence. Arch Intern Med, 160(14), 2101-2107.

Gunnell, D. & Ashby D. (2004). Antidepressants and suicide: What is the balance of benefit and harm. BMJ, 329(7456): 34–38.

Haslam, C., Atkinson, S., Brown, S., Haslam, C. (2005). Perceptions of the impact of depression and anxiety and the medication for these conditions on safety in the workplace. Occup Environ Med, 62(8), 538–545. doi: 10.1136/oem.2004.016196. PMCID: PMC1741070.

Ho, P. M., Spertus, J. A, Masoudi, F. A., Reid, K. J., Peterson, E. D., Magid, D. J., Krumholz, H. M., & Rumsfeld, J. S. (2006). Impact on medication therapy discontinuation on mortality after myocardial infarction. Arch Intern Med, 166(17), 1842-1847.

Hopfield, J., Linden, R. M., Tevelow, B. J. (2006). Getting patients to take their medicine. McKinsey Quarterly. http://www.mckinseyquarterly.com/Getting_patients_to_take_their_medici ne_1872. Jacobs, L. (2002). Are your patients taking what you prescribe? A major determinant: Clinician-patient communication. The Permanent Journal, 6(3), pp. 59-61.

Kehl, M. R. (2009). O tempo e o cão: A atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo.

Manber, R., Chambers, A. S., Hitt, S. K., McGauhney, C., Delgado, P., & Allen, J. J. B. (2003). Patients' perception of their depressive illness. Journal of Psychiatric Research, 37, 335-343. Disponível em http://128.196.99.80/JJBAReprints/Manber_et_al_J_Psych_Res_2003.pdf

Middleton, N., Gunnel, D., Whitley, E., Dorling, D., & Frankel, S. (2001). Secular trends in antidepressant prescribing in the UK, 1975-1998. J Public Health Med, 23(4), pp.262-267.

Nogueira-Martins, L. A. (2003). Saúde mental dos profissionais de saúde. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 1(1), 56-68.

Nutt, D. J. (2010). Rationale for, barriers to, and appropriate medication for the long-term treatment of depression. J Clin Psychiatry,71(Suppl E1:e02).

Organização Mundial da Saúde (OMS). (2012). Depression. Acessado em outubro 2012. http://www.emro.who.int/health-topics/depression/

Oeler-Canet S., Lacasta-Tintorer, D., Rodriguez, J.C., Flamarich_Zampato, D., & Front-Canal, T. (2011). Do depression patients comply with treatments prescribed? A cross-sectional study of adherence to the antidepressant treatment. Acta Esp Psiquiatr, 39(5), 288-93.

Pampallona, S., Bollini, P., Tibaldi, G., Kupelnick, B., & Munizza, C. (2004). Combined pharmacotherapy and psychological treatment for depression: A systematic review. Arch Gen Psychiatry, 61(7), 714-719.

Sirriyeh, R., Lawton,R., Gardner, P., Armitage,G. (2010). Coping with medical error: A systematic review of papers to assess the effects of involvement in medical errors on healthcare professionals psychological well-being. Qual Saf Health Care, 19(Suppl e:43), doi:10.1136/qshc.2009.035253.

Turato, E. R. (2010). Tratado da Metodologia da pesquisa clínica-qualitativa: Construção tórica-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. 4ª edição. Petrópolis, RJ:Vozes.

Wade, A. G., Häring, J. A. (2010). A review of the costs associated with depression and treatment noncompliance: The potential benefits of online support. Intern Clin Psychopharmacol, 25(5), 288-96.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2013v4n1p2

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)