A histeria em A Carne, de Julio Ribeiro

André Luis Masiero

Resumo


Analisa-se no referencial psicanalítico freudiano a obra A carne, de Julio Ribeiro, romance naturalista publicado em 1888. A obra critica a formação dos papéis de gênero na cultura do século XIX e antecipa idéias psicanalíticas sobre sexualidade e histeria, o que permite uma interessante aproximação entre literatura e psicanálise. A análise é focada no desenvolvimento dos dois personagens centrais, Lenita e Manduca. Observou-se na primeira uma transformação da histeria, de desvio para transgressão e daí para a crítica da sexualidade e dos papéis femininos. Já as angústias e conflitos masculinos são marcados pelo silêncio, uma falha discursiva a qual não permite classificações psicopatológicas. Ao final a histérica Lenita fala e interrompe um longo ciclo de repetição compulsiva enquanto Manduca linearmente emudece e sucumbe. Retomando o início da psicanálise observa-se o mesmo fenômeno: a dificuldade, admitida por Freud, em expor a histeria masculina.

Palavras-chave


histeria; psicanálise; literatura

Texto completo:

PDF

Referências


Assis, J. M. M. (2007). O alienista, in Costa F M. (2007), Os melhores contos de loucura. Rio de Janeiro: Ediouro. (Original publicado em 1881).

Barreto, L. (2007). Cemitério dos vivos, in Costa F M. (2007), Os melhores contos de loucura. Rio de Janeiro: Ediouro. (Original publicado em 1920).

Ferro, A. (2000). A psicanálise como literatura e terapia. Rio de Janeiro: Imago.

Freitas, S. (1972). A carniça, in: Ribeiro, J. (1972). A carne. São Paulo: Editora Três. (Original publicado em 1888)

Freud, S. (1996a). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Observação de um caso grave de hemianestesia em um homem histérico, v. I, p. 49-57. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1886)

Freud, S. (1996b). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Ed. Imago Histeria, v. I, p.65-83. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1888)

Freud, S. (1996c). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Comunicação preliminar, v. I, p. 165-174. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1893)

Freud, S. (1996d). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Escritores criativos e devaneios, v. IX, p. 149-162. Rio de Janeiro: Imago. (Original plublicado em 1907).

Freud, S. (1996e). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia (Dementia paranoides), v. XII, p. 23-104. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1911)

Freud, S. (1996f). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Além do princípio do prazer, v. XVIII, p. 13-85. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1920)

Freud, S. (1996g). Edição Standard Brasileira das obras completas de S. Freud, Um estudo autobiográfico, v. XX, p.11-92. Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1925).

Houaiss, A (2002). Dicionário eletrônico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva. Kon, N. M. (2003). A viagem: Da literatura a psicanálise. São Paulo: Cia das Letras.

Kehl, M. R. ( 2007). Bovarismo e modernidade. Revista Literatura e Sociedade, USP, FFCLH, 10, 224-236.

Masiero, A L; Ragnoli, F. A.; Gozzoli, L.; Oliveira, A. L. M. (2006) A crítica freudiana ao reducionismo biológico. Psicologia: Ciência e Profissão, 26(1), 58-69.

Nasio J. D. (1991). A histeria: Teoria clínica e psicanalítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor

Patrasso R.; Grant W. H. (2007). O feminino, a literatura e a sexuação. Psicologia clínica, 19(2), 133-151.

Ribeiro, J. (1972). A carne. São Paulo: Editora Três. (Original publicado em 1888).

Ribeiro, J. (1972). O urubu – Senna Freitas, in Ribiero, J. (1888/1972) A carne. São Paulo: Editora Três. (Original publicado em 1888)

Rouanet, S. P. (2004). A construção da histeria em Aluísio Azevedo. Psicologia Clínica, 16(1), 97-113.

Roudinesco, E (2000). Por que a psicanálise? Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Schreber, D. P. (2006). Memória de um doente dos nervos. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Scotti, S (2002). A histeria em Freud e Flaubert. Estudos de Psicologia, 7(2), 333-341.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2012v3n2p196

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)