Práticas ilícitas e seus atores: Um estudo sobre representações sociais

Anna Beatriz Carnielli Howat-Rodrigues, Danielly Bart do Nascimento, Edinete Maria Rosa, Júlio César Pompeu

Resumo


O objetivo do presente artigo foi compreender a representação social de adultos autores de atos infracionais, importante para o levantamento de expectativas sociais construídas nas relações cotidianas. Participaram deste estudo 55 estudantes universitários dos cursos de Direito e Psicologia. Os instrumentos constituíram de questionário sociodemográfico sobre características dos participantes e questionário estruturado de ativação contextual com manipulação de variável econômica bairro (rico X pobre). Utilizou-se teste Qui-quadrado ou o Teste de Fischer a fim de examinar associações entre as variáveis. No geral, os estudantes atribuíram àquele que infringe a lei, cor/etnia parda, sem união estável e sem trabalho, justificando a aceitação de praticar atos ilícitos a partir de fatores socioeconômicos e prevendo a prisão ou a pena prevista em lei como forma de punir. As representações sociais mostram-se perpassadas pelo discurso das classes dominantes pautado numa visão punitiva e vingativa contrário ao discurso de reeducação e inserção social difundida em ambos os círculos acadêmicos.

Palavras-chave


questões sociais; influências sociais; estigma

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2012v3n1p41

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