Estilos de pensar e criar no contexto organizacional: Diferenças de acordo com o cargo profissional?

Tatiana de Cássia Nakano, Carolina Rosa Campos, Talita Fernanda da Silva, Elida Kalina Gomes Pereira

Resumo


O presente estudo visou identificar o estilo de pensar e criar dos profissionais de uma empresa do ramo de distribuição de produtos farmacêuticos, a fim de verificar a existência de diferentes estilos predominantes, de acordo com as variáveis sexo, escolaridade e cargo ocupado. Quarenta profissionais, sendo 30 mulheres e 10 homens, com idades entre 17 anos e 35 anos (M=24,5; DP=5,4) e escolaridade correspondente ao Ensino Médio (n=14) e Superior (n=26) foram divididos em dois grupos, sendo o primeiro formado por profissionais que trabalhavam na área fiscal e contábil (n=20), e outro grupo de profissionais que exerciam cargos na área de vendas (n=20). Os participantes responderam à Escala de Estilos de Pensar e Criar de forma individual durante o horário de trabalho. Os resultados demonstraram que somente o estilo lógico-objetivo mostrou-se influenciado pela área de atuação (F=4,745; p<=0,037), sendo que todas as demais influências não mostraram significativas. No presente estudo, as variáveis sexo e nível de escolaridade não exerceram influência nos estilos de pensar e criar dos participantes, assim como todas as demais interações. Verificou-se ainda que a maior parte da amostra estudada apresenta como estilo predominante o Lógico-objetivo, independente do sexo (62,0% das mulheres foram classificadas nesse estilo e 72,7% dos homens), do nível de escolaridade (com 57,1% dos profissionais com Ensino Médio e 69,2% com Ensino Superior) e em relação à área de atuação (60,0% dos participantes da área contábil/fiscal apresentando esse estilo predominante e 70,0% dos profissionais da área de vendas).

Palavras-chave


estilos; criatividade; gênero; escolaridade; organizacional

Texto completo:

PDF

Referências


Alencar, E. M. L. S. (1998). Promovendo um ambiente favorável à criatividade nas organizações. Revista de Administração de Empresas, 38(2), 8-25.

Alencar, E. M. L. S. (2001). Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes.

Alencar, E. M. L. S. (2005). A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books.

Alencar, E. M. L. & Fleith, D. S. (2003). Barreiras à criatividade pessoal entre professores de distintos níveis de ensino. Psicologia Reflexão e Crítica, 16(1), 63-69.

Aranha, M. A. R. C. (1997). Creativity in students and its relation to intelligence an peer percetion. Interamerican Journal of Psychology, 31(2), 309-313.

Bruno-Faria, M. F., Veiga, H. M. S. & Macêdo, L. F. (2008). Criatividade nas organizações: análise da produção científica nacional em periódicos e livros de Administração e Psicologia. Psicologia das Organizações e Trabalho, 8(1), 142-163.

Candeias, A. A. (2008). Criatividade: perspectiva integrativa sobre o conceito e sua avaliação. In M. F. Morais & S. Bahia. Criatividade: Conceito, necessidades e intervenção (pp.41-64). Braga: Psiquilíbrios.

Candeias, A. A., Rebelo, N., Silva, J., & Mendes, P. (2011) Excelência vs. Competência: um desafio para a educação e o desenvolvimento profissional. In S. M. Wechsler & T. C. Nakano (Orgs.). Criatividade no ensino superior: Uma perspectiva internacional (pp. 54-79). São Paulo: Vetor.

Cheng, Y., Kim, K. H., & Hull, M. F. (2010). Comparisons of creative styles and personality types between American and Taiwanese college students and the relationship between creative potential and personality types. Psychology of Aesthetics, Creativity, and the Arts, 4(2), 103-112.

Correia, G. S., & Dellagnelo, E. H. L. (2004). Avaliação do potencial da estrutura para o desenvolvimento da criatividade em uma indústria cerâmica catarinense. Em Anais do Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação e Pesquisa em Administração (pp. 28). Curitiba: ANPAD. Disponível em: http://anais.sepex.ufsc.br/anais_4/trabalhos/243.html. Acesso em 10/11/2011.

Crespo, M. L. F. (2004). Construção de uma medida de clima criativo em organizações. Estudos de Psicologia (Campinas), 21(2), 91-99.

De la Torre, S. (2005). Dialogando com a criatividade. São Paulo: Madras. El-Murad, J., & West, D.C. (2004). The definition and measurement of creativity: what do we know? Journal of Advertising Research, 44(2), 188-201.

Godoy, S., Ottati, F., & Noronha, A.P.P. (2009). Interesse profissional e estilos de pensar e criar em estudantes de Psicologia. Boletim de Psicologia, 59(131), 191-207.

Gonçalvez, F. C., Fleith, D. S. & Libório, A. C. O. (2011). Criatividade em aula: Percepção de alunos de dois estados brasileiros. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 63(1), 22-30.

Homsi, S. H. V. (2006). Temperamento e sua relação com estilos de pensar e criar. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Kirton, M. J. (1994). Adaptors and innovators: Styles of creativity and problem solving. London: Routledge.

Lins, M. J. S. C. & Miyata, E. S. (2008). Avaliando a aprendizagem de criatividade em uma oficina pedagógica. Ensaio: Avaliação de Políticas Públicas em Educação, 16(60), 455- 468.

López, M. P. S. & Casullo, M. M. (2000). Ensino e estilo individual de aprendizagem. In M. P. S. López & M. M. Casullo (Orgs). Estilos de personalidad: Una perspectiva iberoamericana (pp.11-15). Buenos Aires: Mino y Davila.

Lubart, T. (2007). Psicologia da criatividade. Porto Alegre: ArtMed.

Martinez, A. M. (2000). A criatividade nas organizações: O papel do líder. Universitas Psicologia, 1(1), 59-78.

Martinez, A. M. (2002). A criatividade na escola: Três direções de trabalho. Linhas Críticas, 8(15), 189-206.

Martins, R. M. M., Santos, A. A. A. & Bariani, I. C. D. (2005). Estilos cognitivos e compreensão leitora em universitários. Paidéia, 15(30), 57-68.

Montuori, A., & Purser, R.E. (1995). Deconstructing the lone genius myth: Toward a contextual view of creativity. Journal of Humanistic Pyschology, 35(3), 69-112.

Moraes, M.M. & Lima, S.M.V. (2009). Estratégias para criar no trabalho: Proposição teórica e validação psicométrica de medida. Paidéia, 19(44), 367-377.

Mundim, M. C. B. (2004). Estilos de criar em lideres organizacionais. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Mundim, M. C. B. & Wechsler, S. M. (2007). Estilos de Pensar e Criar em gerentes organizacionais e subordinados. Boletim de Psicologia, 57(126), 15-32.

Nakano, T. C. (2005). Pesquisa em criatividade: Análise da produção científica do banco de teses da Capes (1996-2001). In G. P. Witter. Metaciência e Psicologia (pp.35-48). Campinas: Editora Alínea.

Nakano, T. C. (2010). Estilos de pensar e criar em estudantes de psicologia: diferenças regionais? Estudos e Pesquisas em Psicologia, 10(3), 682-699.

Nakano, T. C., Santos, E., Zavarize, S. F., Wechsler, S. M. & Martins, E. (2010). Estilos de pensar e criar em universitários das áreas de humanas e sociais aplicadas: Diferenças por género e curso. Psicologia Teoria e Prática, 12(3), 120-134.

Nakano, T. C. & Wechsler, S. M. (2007). Criatividade: Características da produção científica brasileira. Avaliação Psicológica, 6(2), 261-270.

Nicolas, A. M. N. (1999). Criatividade onde está? Catharsis, 4(23), 11-12.

Oliveira, Z. M. F. (2007). Criatividade na formação do professor do curso de letras. Dissertação de Mestrado não publicada, Curso de Pós-Graduação em Educação, Universidade Católica de Brasília. Brasília, DF.

Oliveira, Z. M. F. (2010). Fatores influentes no desenvolvimento do potencial criativo. Estudos de Psicologia (Campinas), 27(1), 83-92.

Sakamoto, C. K. (2000). Criatividade: uma visão integradora. Psicologia: Teoria e Prática, 2(1), 50-58.

Siqueira, L. G. G. (2001). Estilos de criar e desempenho escolar. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Siqueira, L. G. G. & Wechsler, S. M. (2004). Estilos de pensar e criar de estudantes brasileiros e sua influência sobre o desempenho escolar. Revista Iberoamericana de Diagnóstico y Evaluación Psicológica, 18(2), 15-22.

Sonoo, C. N., Hoshino, E. F. & Vieira, L. F. (2008). Liderança esportiva: Estudo da percepção de atletas e técnicos no contexto competitivo. Psicologia: Teoria e Prática, 10(2), 68-82.

Sousa, L. C. & Santos, L. (1999). A relação entre estilos pedagógicos e desempenho escolar em Portugal. Psicologia Reflexão e Critica, 12(2), 331- 342.

Sternberg, R. (1997). Thinking styles. New York: Cambridge University Press. Sternberg, R. J. &

Lubart, T. I. (1997). La creatividad en una cultura conformista: un desafío a las massas. Barcelona: Paidós.

Wechsler, S. M. (1999). Avaliação da criatividade: um enfoque multidimensional. In S. M. Wechsler & R. S. L Guzzo. Avaliação psicológica: Perspectiva internacional (p.231-260). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Wechsler, S. M. (2001). Criatividade na cultura brasileira: uma década de estudos. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática, 6(1), 215-226, 2001.

Wechsler, S. M. (2006a). Estilos de Pensar e Criar (manual). Campinas: Impressão Digital do Brasil/LAMP.

Wechsler, S. M. (2006b). Estilos de pensar e criar: Impacto nas áreas educacional e profissional. Psicodebate: Psicologia, Cultura y Sociedad, 7, 207-218.

Wechsler, S. M. (2008). Criatividade: Descobrindo e encorajando. São Paulo: Editora Psy

Wechsler, S. M. (2009). Estilos de pensar e criar: Implicações para a liderança. In Z. G. Giglio, S. M. Wechsler & D. Bragotto. Da criatividade a inovação (pp.39-60). Campinas, SP: Papirus.

Wechsler, S. M. & Nakano, T. C. (2002). Caminhos para a avaliação da criatividade: Perspectiva brasileira. Em R. Primi. (2002). Temas em avaliação psicológica. (pp.103-115). São Paulo: Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica.

Wechsler, S. M. & Nakano, T. C. (2003). Produção brasileira em criatividade: O estado da arte. Escritos sobre Educação, 2(2), 43-50.

Zanella, A. V. & Titon, A. P. (2005). Análise da produção científica sobre criatividade em programas brasileiros de pós-graduação em psicologia (1994 -2001). Psicologia em Estudo, 10(2), 305-316.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2011v2n2p171

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Estud. Interdiscip. Psicol.
E-mail: revistaeip@uel.br
E-ISSN: 2236-6407
DOI: 10.5433/2236-6407 

 Esta obra está licenciada com uma licença Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)