Corpos potentes que veem, corpos freaks que são vistos: análises sobre um corpo modificado e não-binário

Márcio Alessandro Neman do Nascimento, Thi Angel

Resumo


O presente artigo investe na análise de uma entrevista realizada no ano de 2014 (durante a pesquisa de doutoramento do entrevistador) e analisada e escrita conjuntamente com a entrevistade em 2019 (após seis anos). No processo polifônico foi salientada a experiência do próprio corpo de Thi Angel, performer art, professore de História de uma escola pública periférica de Osasco-SP, que nas duas últimas décadas pesquisa sobre modificação corporal (bodymodification) e os diferentes usos do corpo. Thi Angel aponta como a trajetória de suas modificações corporais caminhava junto com o ativismo pelos direitos sexuais e reprodutivos, direitos humanos e dos animais, sua conexão com o veganismo e a arte de performar. Durante a primeira entrevista, Thi Angel narra sua estilística de existência e as escritas e marcas construídas em seu corpo por meio da arte performática, como também traz as dificuldades de baixa visão devido à doença Ceratocone, desde os 14 anos, e a emergência de transplantes em ambos os olhos. Já em 2019, o reencontro para essa escrita polifônica relembra e anuncia as ocorrências vividas após 6 anos. O posicionamento cartográfico foi o suporte e conexão com o mundo para a realização das análises dos acontecimentos e das entrevistas que foram audiogravadas e transcritas na íntegra. Para a elaboração de tais análises recorremos às epistemes teórico-metodológicas da Filosofia da Diferença, da Teoria Queer, da Teoria Crip e dos Estudos de Gênero.


Palavras-chave


Esquizoanálise; Estudos de Gênero; Teoria Queer.

Texto completo:

PDF

Referências


AKOTIRENE, C. O que é interseccionalidade?. Belo Horizonte: Letramento: Justificando, 2018.

ANGEL, T. Manisfesto Freak. FRRRKguys. [S. l.], 6 jan. 2016. Disponível em: http://www.frrrkguys.com.br/manifesto-freak/. Acesso em: 12 dez. 2019.

BRAIDOTTI, R. Sujetos nómades. Buenos Aires: Paidós, 2000.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

BUTLER, J. Deshacer el genero. Barcelona: Paidos, 2004.

BUTLER, J. Cuerpos que importan: sobre los límites materiales y discusivos del “sexo”. 2. ed. Buenos Aires: Paidós, 2008.

DELEUZE, Gilles. “Uma conversa, o que é, para que serve?” In: DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Diálogos. São Paulo: Escuta, 1998.

DELEUZE, G.; PARNET, C. Diálogos. Tradução Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Escuta, 1998.

FOUCAULT, M. A vida dos homens infames. In: FOUCAULT, M. Estratégia, poder-saber. Tradução Vera Lucia Avellar Ribeiro. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003a. p. 203-222. (Ditos e escritos, v. 4).

FOUCAULT, M. Diálogo sobre o poder. In: FOUCAULT, M. Estratégia, poder-saber. Tradução Vera Lucia Avellar Ribeiro. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003b. p. 253-266. (Ditos e escritos, v. 4).

FOUCAULT, M. Poder-Corpo. In: FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Tradução Roberto Machado. 18. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2003c. cap. 9, p. 145-152.

FOUCAULT, M. História da sexualidade 1: a vontade de saber. Tradução Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 16. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2005.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. 14. ed. São Paulo: Ed. Loyola, 2006.

HALL, S. Quem precisa da identidade?. In: SILVA, T. T. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 103-133.

LE BRETON, D. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. Tradução Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 2003.

MELLO, A. G. Deficiência, incapacidade e vulnerabilidade: do capacitismo ou a preeminência capacitista e biomédica do Comitê de Ética em Pesquisa da UFSC. Ciências e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n.10, p. 3265-3276, 2016.

MELLO, A. G.; NUERNBERG, A. H. Gênero e deficiência: interseções e perspectivas. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 20, n. 3, p. 635-655, dez. 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104026X2012000300003 &lng=en&nrm=iso. Acesso em: 12 dez. 2019.

NASCIMENTO, M. A. N. Corpos (con)sentidos: cartografando processos de subjetivação de produto(re)s de corporalidades singulares. 2015. 265f. Tese (Doutorado em Psicologia). – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Assis, 2015.

NOGUEIRA, C. Interseccionalidade e psicologia feminista. Salvador: Devires, 2017.

SCOTT, J. W. Experiência. In: SILVA, A. L.; LAGO, M. C. S.; RAMOS, T. R. O. (org.). Falas de gênero: teorias, análises, leituras. Florianópolis: Mulheres, 1999. p. 21-55.

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar?. Tradução Sandra R. G. Almeida, Marcos P. Feitosa e André P. Feitosa. Belo Horizonte: UFMG, 2012.

TEDESCO, S. H.; SADE, C.; CALIMAN, L. V. A entrevista na pesquisa cartográfica: a experiência do dizer. Fractal: Revista de Psicologia, [S. l.], v. 25, n. 2, p. 299-322, aug. 2013. Disponível em: http://periodicos.uff.br/fractal/article/view/4944. Acesso em: 1 fev. 2020.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-7939.2021v6n1p9

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 Educação em Análise

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Educação em Análise
Issn: 2448-0320
E-mail: educanalise@uel.br

 

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença 
Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.