Elementos da natureza, artefatos históricos, objetos folclóricos: sentidos e representações atribuídas à coleção etnológica do Museu Júlio de Castilhos (1901-1958)

Roberta Madeira de Melo, Zita Rosane Possamai

Resumo


Neste artigo analisamos como se formou a coleção etnológica do Museu Júlio de Castilhos e quais foram as representações e sentidos sobre os povos indígenas produzidos pelo museu no período de 1901-1958. Com esse intuito, investigamos as quatro primeiras direções do museu, destacando as semelhanças e as singularidades dessas administrações nos processos de musealização dos objetos indígenas. Demonstramos que, no período analisado, os objetos indígenas foram considerados como objetos científicos, vinculados aos estudos de História Natural como artefatos históricos e como objetos que representavam culturas folclóricas. Compreendemos assim, que a história das coleções e da musealização dos objetos indígenas contribui para a compreensão de como se produziram imaginários acerca dos povos originários em espaços museais e, ainda, colabora para a problematização crítica da relação dos museus com as nações indígenas.

Palavras-chave


Museu Júlio de Castilhos; Indígenas; Coleções; Representações; Colonialidade

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-9126.2021v15n28p7

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