“Felizmente existem os restos”: sobras de Geraldo de Barros e a autobiografia através da fotografia

Priscila Miraz de Freitas Grecco

Resumo


Geraldo de Barros foi um artista extremamente frutífero, grande divulgador da arte brasileira pelo mundo. Neste artigo pretendemos tratar de sua obra fotográfica, mais especificamente sua última produção, a série Sobras. Neste trabalho Geraldo retoma fotografias de familiares, de viagens, e realiza intervenções como recortes, inclusão e exclusão e sobreposição de fundos, pessoas e objetos, espaços que passam a ser preenchidos por recortes em branco ou preto. Nossa proposta é apresentar essa série de Geraldo como uma maneira de fazer autobiografia. Em Sobras, Geraldo reinventa sua relação com o tempo, com a memória. Quando trata os espaços das fotografias pessoais como espaços construtores, no mesmo ato constrói sua memória, sua autobiografia.


Palavras-chave


Fotografia; Autobiografia; Memória.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-9126.2011v5n9p105

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