A construção do mosaico antropofágico em Oré Awé Roiru'a ma: Todas as vezes que dissemos adeus

Caroline Scheuer Neves

Resumo


O presente trabalho pretende discutir sobre a obra de Kaká Werá Jecupé intitulada Oré Awé Roiru’a Ma: todas as vezes que dissemos adeus, mais especificamente tratando acerca de alguns dos “pedaços” utilizados para a criação de um mosaico como reação antropofágica ao longo da narrativa. A partir do embasamento teórico em Almeida e Queiroz (2005), Souza (2001) e Souza (2006), foi possível observar a incorporação pelo autor de elementos da sociedade envolvente, familiares ao leitor não indígena e da tradição oral indígena; bem como a ressignificação deles baseada em processos de inversão e na sua inserção na escrita e na língua portuguesa. Além disso, discuto sobre a apropriação do modelo utilitário e grafocêntrico da sociedade envolvente por Jecupé, relacionando-a ao movimento antropofágico realizado com a construção do mosaico. Como contraponto a esse modelo, trago considerações sobre o “modelo ideológico de letramento”, levando em conta que ele busca desconstruir a visão determinística do modelo de letramento anterior, o que possibilita entender a obra de Jecupé como uma prática social situada e relacionada ao poder.


Palavras-chave


Literatura Indígena; Antropofagia; Tradição Oral; Letramento

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, M. I. de; QUEIROZ, S. Na captura da voz:as edições da narrativa oral no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica - FALE/UFMG,2005.

BARTON, D.; HAMILTON, M.; IVANIC, R. Situated literacies: reading and writing in context. Londres: Routledge, 2000.

D'ANGELIS, W. da R. Como nasce e por onde se desenvolve uma tradição escrita em sociedades de tradição oral?. Campinas, SP: Curt Nimuendajú, 2007.

GOODY, J.; WATT, I. The consequences of literacy. Comparative Studies in Society and History, v. 5, n.3, p. 304-345, 1963.

JECUPÉ, K. W. Oré Awé Roiru’a Ma:todas as vezes que dissemos adeus. São Paulo: TRIOM, 2002.

MARCUSCHI, L. A. Letramento e oralidade no contexto das práticas sociais e eventos comunicativos. In: SIGNORINI, I. (Org.). Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. São Paulo: Mercado de Letras, 2001. p. 23-50.

OLSON, D. R. From utterance to text: the bias of language in speech and writing. Harvard Education Review, v; 47, n. 3, p. 257-281, 1977.

ONG, W. J. Orality and literacy: the technologizing of the world. Londres: Methuen, 1982.

SÁ, L. Anti-colonialismo na pós-colônia: Kaká Werá Jecupé ou a literatura indígena da megalópolis. In: SANCHES, M. R. Portugal não é um país pequeno:contar o Império na pós-colonialidade. Lisboa: Cotovia, 2006. p. 249-268.

SOUZA, L. M. T. M. de. Para uma ecologia da escrita indígena: a escrita multimodal Kaxinawá. In: SIGNORINI, I. (org.). Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001. p. 167-192.

SOUZA, L. M. T. M. As visões da anaconda: a narrativa escrita indígena no Brasil. Semear(PUC-RJ), Rio de Janeiro, n. 7, 2002. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2014.

SOUZA, L. M. T. M. Uma outra história, a escrita indígena no Brasil. Povos indígenas no Brasil, 2006. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2014.

STREET, B. Literacy in theory and practice. Cambridge: Cambridge University Press, 1984.

STREET, B. Introduction: the new literacy studies. In: STREET, B. (Ed.). Cross-cultural approaches to literacy. Cambridge: Cambridge University Press, 1993. p. 1-21.

STREET, B. Literacy and development:ethnographic perspectives. Londres: Routledge, 2001.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Boitatá
E-ISSN: 1980-4504
Universidade Estadual de Londrina
E-mail: boitata@uel.br
Telefone: (43) 33714428