Imaginário e representação feminina na narrativa mítica da matintaperera, Acarpará - Bragança/PA

Fernando Alves da Silva Júnior, Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões

Resumo


O presente artigo tem como objeto de análise o mito da matintaperera narrado na comunidade bragantina da Acarpará – Bragança/PA por Dona Maria Silva de Aviz, tendo como objetivo compreender a construção deste mito amazônico e também a maneira como o imaginário é tecido em torno da matinta e como esta se aproximada da imagem da bruxa/feiticeira. Para tanto, o referencial teórico que norteou esta pesquisa teve como base os seguintes teóricos: acerca do imaginário: Mafessoli (2001) e Durand (1998); simbolismo: Chevalier e Gheerbrant (2009); feitiçaria: Ginzburg (1988), Souza (1986, 1987) e Kramer e Sprenger (1991). A metodologia perpassou o campo da história oral e da etnografia justamente por esta pesquisa ser na sua maioria de campo, mas também bibliográfica. Identificamos que as bruxas bragantinas (as matintapereras) aparecem nas noites para despertarem medo naqueles que persistem insones, recebem tabaco ou café como sacrifício (MAUSS, 2003, 2005) para cessar suas investidas (assobios) que assombram aqueles que passam as noites em claro, mas que também são construções sociais acerca do feminino, um discurso que atribui ao outro a condição inferior ou nefasta dentro da sociedade, uma exclusão social.


Palavras-chave


Matintaperera; Imaginário; Simbolismo; Feitiçaria

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