Mulheres de Tizangara, uma questão de gênero: análise das personagens femininas em O Último Voo do Flamingo, de Mia Couto

Evillyn Kjellin

Resumo


Este artigo propõe que em O último voo do flamingo – como em várias obras de Mia Couto – há a possibilidade de analisarmos as representações de gênero por meio das experiências vividas pelas personagens do romance: Ana Deusqueira, Temporina, Hortênsia, mãe do narrador e Ermelinda. As personagens femininas da narrativa desempenham um importante papel na história. Cada uma delas guarda sua singularidade e de alguma forma nos permite fazer uma analogia a figuras não fictícias, pois trazem consigo muito da história de seu país, embora muitas vezes elas representem isso de forma metafórica, através do sobrenatural, dos mitos e das tradições locais. Ainda que situadas em um contexto pós-independência de Moçambique, as mulheres de Tizangara (cidade fictícia) trazem consigo as imposições do modelo patriarcal, o qual foi a base do discurso colonial, cujos frutos ainda são colhidos, sobretudo, pelas mulheres que tiveram marcadas na pele as mazelas do colonialismo – mesmo que este não vigore mais. Para tanto, trazemos como aporte teórico os estudos de autoras como María Lugones, Ella Shohat, Amina Mama, Gloria Anzaldúa, bem como contribuições de Mário César Lugarinho e Aníbal Quijano.

Palavras-chave


Literatura Africana; Personagens Femininas; Pós-colonialismo; Mia Couto.

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