Perpetradores no cinema sobre as ditaduras do Cone Sul: do arquétipo ao círculo íntimo

Fernando Seliprandy

Resumo


Na filmografia que retrata a ditadura brasileira, os personagens de torturadores e colaboradores civis geralmente se enquadram em arquétipos bem definidos de antagonistas e coadjuvantes. O artigo traça uma cartografia desses arquétipos em um corpus de títulos ficcionais e documentais brasileiros realizados desde a Abertura política, identificando as figuras e nuances em jogo: o torturador brucutu; o torturador com laivos de consciência; o empresário patrocinador da repressão; o médico acobertador de violações; o religioso alinhado ao regime. A despeito dos matizes, em todos esses casos as culpas e cumplicidades acabam circunscritas dentro das fórmulas de arquétipos cristalizados, relegadas a um microcosmo de “vilões” distantes do tecido social. Um segundo movimento da análise propõe a comparação entre esse panorama geral e dois documentários específicos: 70 y Pico (Mariano Corbacho, Argentina, 2016) e El pacto de Adriana (Lissette Orozco, Chile, 2017). Ambos são dirigidos por descendentes de indivíduos ligados à estrutura repressiva das ditaduras de seus respectivos países. Na chave do documentário subjetivo que revolve as interfaces entre memória familiar e história, esses filmes jogam luz sobre personagens menos óbvios da órbita da repressão. Pessoas comuns que integram uma zona cinzenta muito próxima, onde se enraíza o apoio social ao autoritarismo.

Palavras-chave


Memória; Ditadura; Cinema; Filhos; Colaboracionismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2019v12n23p674

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