Impregnado de eternidade. O Recife em Manuel Bandeira

Flávio Weinstein Teixeira

Resumo


Neste artigo procuro argumentar em torno da feitura e, de maneira lateral, do modo como foram lidos os poemas de Manuel Bandeira que tomam o Recife por matéria poética (Evocação do Recife; Minha Terra; Recife). Pelo prisma da feitura, o que procuro demonstrar é que Bandeira partilhava de uma concepção de cultura que conferia elevado valor ético-estético às manifestações e formas tradicionais constitutivas da arte e cultura nacional. Daí sua fácil assimilação por parte de uma intelligentsia pernambucana, que, por sua vez, fixou uma leitura “regionalista” desses poemas, tornando-os exemplares de determinada concepção que situava num passado idealizado as referências de um modo de vida que estava a se perder

Palavras-chave


Manuel Bandeira; Recife; Tradição cultural; Regionalismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2016v9n18p325

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