O persuasor permanente entre a solidão e o alinhamento: o processo de profissionalização da sociologia na Argentina e a construção de um campo intelectual (1955 – 1966)

Alexandra Dias Ferraz Tedesco

Resumo


O presente artigo tem como objetivo problematizar a constituição de um campo intelectual acadêmico, a partir do processo da institucionalização da Sociologia na Argentina, numa perspectiva que leva em conta as vicissitudes formais e epistemológicas das tensões que emergem no mundo intelectual argentino no momento imediatamente posterior à queda do peronismo (1955). A partir da análise da circulação das propostas dos sociólogos que encampam esse projeto, notadamente do ítalo-argentino Gino Germani, o intuito é pensar a emergência da figura do intelectual acadêmico como sujeito salutar nessas disputas e, notadamente, problematizar uma questão sensível desse processo: as dinâmicas, sempre fluídas, entre posições de autonomia e posições de engajamento. Consideramos, para tanto, uma discussão que visa conectar a análise dos intelectuais com sua problematização sociológica, compreendendo a ação e as tentativas de ação desses indivíduos dentro de uma disputa conjuntural por definir as fronteiras desse novo campo e, nesse sentido, projetarem-se como interlocutores propositivos da interpretação do peronismo, querela que polariza e mobiliza a circulação de ideias naquele contexto.

Palavras-chave


Peronismo; Sociologia argentina; Gino Germani; Campo intelectual; História intelectual

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2016v9n17p246

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