Ensino de história, consciência histórica e a educação de jovens e adultos

Wilian Junior Bonete

Resumo


O que pensam os alunos da Educação de Jovens e Adultos – EJA – sobre a História e sua função social? Esse trabalho, cujo objetivo principal é identificar e analisar as relações que os alunos estabelecem com o conhecimento histórico e se os mesmos atribuem um sentido prático para a aprendizagem histórica, pautou-se por essa indagação inicial. Em outros termos, procurou investigar o significado do conhecimento histórico para os alunos e em que medida o ensino de História tem influência na formação de um pensamento crítico e reflexivo acerca de si mesmos e do mundo contemporâneo. Para tanto, foram estabelecidos diálogos com a atual produção acadêmica delineada no campo da Educação dedicada aos estudos da EJA no Brasil, bem como as contribuições advindas da Teoria da História, aliada aos pressupostos da Didática da História e o conceito de consciência histórica elaborado por Jörn Rüsen (2001a) e Agnes Heller (1993). Os debates sobre a EJA foram enfatizados devido à necessidade da compreensão acerca do que é esta modalidade, sua importância e representatividade no cenário educacional brasileiro. A consciência histórica, entendida como um conjunto de operações pela qual os homens interpretam sua experiência de vida e buscam respostas às diversas situações que o tempo lhe impõe, foi destacada por ser também a forma pela qual os indivíduos expressam suas ideias, pensamentos, representações e sentidos sobre a História. A amostra envolveu 66 alunos do Ensino Médio da EJA de uma escola, da rede pública, da cidade de Guarapuava, PR. Os dados foram coletados através de um instrumento de investigação composto por um conjunto de questões históricas (fechadas e discursivas) envolvendo significado, interesse, agrado, confiança, temporalidade, experiência na sala de aula e vida prática, e foram analisados mediante o uso da Escala Likert (PAIS, 1999; CERRI, MOLAR, 2010;) e também da técnica de análise textual denominada Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977). Ao examinar cada questão e suas respostas, foi possível perceber uma multiplicidade de interpretações, visto que a consciência histórica não é homogênea. Contudo, os alunos realizaram reflexões, em maior ou menor grau, a partir de suas experiências sociais com a disciplina. O resultado geral indicou que a História, longe de ser uma “simples matéria escolar” ou um “amontoado de coisas sem sentido”, é, para os jovens e adultos, uma forma que possibilita a interpretação e compreensão da realidade, do presente e da vida pessoal como parte das mudanças que ocorrem na sociedade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2013v6n11p333



Antíteses
Londrina/PR - Brasil
ISSN: 1984-3356

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