Seja D um domínio complexo e a função f:D
K contínua. Sejam P e Q pontos do domínio D e uma curva K contida inteiramente em D com extremidades em P e Q. Decompomos a curva K em n partes por meio de pontos z1, z2, ..., zn−1 da curva que não são as extremidades de K, sendo estes pontos escolhidos de modo arbitrário, tal que
z1
z2
...
zn−1
zn=Qonde a relação zi
zj significa um tipo de ordem dos números complexos zk, indicando que zi está posto antes de zj na curva sob consideração.
Formamos a soma
| Sn = | n![]() k=1 |
f(ck)(zk−zk−1) = | n![]() k=1 |
f(ck) Δ zk |
|---|
onde ck são números complexos que pertencem aos segmentos de reta [zk−1,zk], com k=1,...,n e Δ zk=zk−zk−1.
Façamos o número de subdivisões crescer de tal modo que o comprimento da maior corda |Δzk| tenda a zero. Assim, se a soma Sn tender a um limite finito, que denotamos simbolicamente por:
![]() |
Q P |
f(z)dz ou | ![]() |
K |
f(z)dz |
|---|
este limite será chamado a integral de linha complexa da função f=f(z) ao longo da curva K. Nesse caso, f=f(z) é dita integrável ao longo de K.
Se f é analítica em todos os pontos de um domínio complexo D e K é uma curva contida em D, então f é integrável ao longo da linha K.
Se z=z(t) com a<t<b é uma parametrização da curva K, e a restrição de f ao arco K é uma função contínua g : [a,b]
K definida por g(t)=f(z(t)) então, a integral de g no intervalo [a,b] pode ser escrita na forma
![]() |
b a |
g(t)dt = | ![]() |
b a |
f(z(t))dz(t) = | ![]() |
b a |
f(z(t)).z'(t)dt |
|---|
As duas últimas integrais indicam o método da substituição para o cálculo de integrais de linha complexas.
Exemplo: Calcularemos a integral
| I = | ![]() |
1+i 0 |
z.dz |
|---|
ao longo da parábola K parametrizada por z(t)=t+it² com t
[0,1].

![]() |
1+i 0 |
z.dz = | ![]() |
1 0 |
z(t).z'(t)dt = | ![]() |
1 0 |
(1+it²)(1+2it)dt = i |
|---|
Exemplo: Calcularemos
| M = | ![]() |
K |
z *dz |
|---|
de z=0 a z=4+2i ao longo da curva K definida pela parábola z=t²+it.
As parametrizações da parábola são dadas por x=t² e y=t para t
[0,2].

A integral de linha é:
![]() |
K |
z *dz = | ![]() |
2 0 |
z *(t)z'(t)dt = | ![]() |
2 0 |
(t²−it)(2t+i)dt = | ![]() |
2 0 |
(2t³−it²+t)dt =10−8i/3 |
|---|
Se f(z(t))=u(t)+i.v(t) é uma função contínua da variável t em [a,b], a integral de linha complexa pode ser expressa em termos de integrais de linha das partes real e imaginária da função f=f(z(t)), onde u(t)=Re[f(z(t))] e v(t)=Im[f(z(t))]. Desse modo
![]() |
K |
f(z) dz = | ![]() |
K |
(u+iv)(dx+idy) = | ![]() |
K |
(udx−vdy) + i | ![]() |
K |
(vdx+udy) |
|---|
Exemplo: Calcularemos
| J = | ![]() |
K |
dz
z |
|---|
onde K é a circunferência centrada na origem e raio r. A parametrização da circunferência é z(t) = r[cos(t)+isen(t)] onde 0<t<2
. Assim:
![]() |
K |
dz
z |
= | ![]() |
2 0 |
r(−sen(t)+ i cos(t)]
r[cos(t)+ i sen(t)] |
dt = | ![]() |
2 0 |
i.dt =2 i |
|---|
Outro modo de calcular esta integral é escrever a equação da circunferência na forma exponencial, isto é, z(t)=r eit. Assim dz(t)=i r eit dt com 0<t<2
e a integral será calculada como:
![]() |
K |
dz
z |
= | ![]() |
2 0 |
i r eit
r eit |
dt = 2 i |
|---|
Aditividade: Seja f=f(z) e g=g(z) funções contínuas e K uma curva simples, então
![]() |
K |
[f(z)+g(z)]dz = | ![]() |
K |
f(z)dz + | ![]() |
K |
g(z)dz |
|---|
Múltiplo escalar: Se f=f(z) é uma função contínua, K uma curva simples e μ é um escalar complexo, então
![]() |
K |
(μ f)(z)dz = μ | ![]() |
K |
f(z)dz |
|---|
Simetria: Se K é uma curva simples parametrizada por z=z(t) com a<t<b, então a curva −K é parametrizada por z=z(−t) com −b<t<−a e além disso
![]() |
−K |
f(z)dz = − | ![]() |
K |
f(z)dz |
|---|
Decomposição da curva em 2 partes: Se a curva K pode ser decomposta como a reunião de duas curvas justapostas K1 e K2, dizemos que K é uma justaposição de curvas e escrevemos K=K1+K2. Assim, a integral sobre K é a soma das integrais sobre K1 e K2:
![]() |
K1+K2 |
f(z)dz = | ![]() |
K1 |
f(z)dz + | ![]() |
K2 |
f(z)dz |
|---|
Decomposição da curva em n partes: Se a curva K pode ser decomposta como a reunião de n curvas justapostas K1, K2,..., Kn, dizemos que K é uma justaposição de n curvas e escrevemos K=K1+K2+...+Kn. Assim, a integral sobre K é a soma das integrais sobre K1, K2,..., Kn:
![]() |
K1+...+Kn |
f(z)dz = | ![]() |
K1 |
f(z)dz +...+ | ![]() |
Kn |
f(z)dz |
|---|
Estimativa modular: Se f=f(z) é uma função contínua e K é uma curva simples, então o módulo da integral é dominado pela integral do módulo da função:
| | | ![]() |
K |
f(z) dz| < | ![]() |
K |
|f(z)| |dz| |
|---|
Demonstração: Se a curva K é parametrizada por z=z(t), com a<t<b e como:
![]() |
K |
f(z) dz= | lim |P| 0 |
n![]() k=1 |
f(ck) Δ zk |
|---|
onde ck são números complexos que pertencem aos segmentos de reta [zk−1,zk], com k=1,...,n, Δ zk=zk−zk−1 e |P| é comprimento da maior corda |Δ zk|.
Pela desigualdade triangular
| | | n![]() k=1 |
f(ck) Δ zk| < | n![]() k=1 |
|f(ck) Δ zk| = | n![]() k=1 |
|f(ck)||Δ zk| |
|---|
Tomando limites quando |P|
0 em ambos os membros desta equação,
| | | ![]() |
K |
f(z)dz| < | ![]() |
K |
|f(z)| |dz| |
|---|
Exemplo: Para exemplificar a propriedade (4) sobre a decomposição de curvas, calcularemos
| N = | ![]() |
K |
z * dz |
|---|
de z=0 a z=4+2i ao longo da curva K obtida pela justaposição do segmento de reta ligando z=0 e z=2i, e, do segmento de reta ligando z=2i e z=4+2i.

Decomporemos a curva K em duas partes, K1 e K2, tal que
(0,2)} e K2={x(t)=t, y(t)=2, t
(0,4)}A integral é dada por:
![]() |
K |
z *dz = | ![]() |
K1 |
(x−iy)(dx+idy) + | ![]() |
K2 |
(x−iy)(dx+idy) |
|---|
que também pode ser escrita como:
![]() |
K |
z *dz = | ![]() |
2 0 |
(−it)(i)dt + | ![]() |
4 0 |
(t−2i)dt =8−8i |
|---|
Para cada caso, calcular a integral complexa de f=f(z) sobre a curva indicada.
| Função complexa | Curva no plano complexo |
|---|---|
| f(z)=Re(z) | Segmento de reta ligando z=0 a z=2+i. |
| f(z)=Re(z) | Semicircunferência |z|=1, 0<arg(z)<![]() sendo que o caminho inicia em z=1. |
| f(z)=Re(z) | Circunferência |z−a|=R. |
| f(z)=Im(z) | Segmento de reta K ligando z=0 a z=2+i. |
| f(z)=Im(z) | Semicircunferência |z|=1, 0<arg(z)<![]() sendo que o caminho inicia em z=1. |
| f(z)=Im(z) | Circunferência |z−a|=R. |
| f(z)=|z| | Segmento de reta a origem ao ponto z=2−i. |
| f(z)=|z| | Semicircunferência |z|=1, 0< arg(z)< ![]() sendo que o caminho inicia em z=1. |
| f(z)=|z| | Semicircunferência |z|=1, − /2< arg(z)< /2sendo que o caminho inicia no ponto z=−i. |
| f(z)=|z| | Semicircunferência |z|=R. |
| f(z)=|z|z* | Contorno fechado composto pela semicircunferência superior |z|=1 e pelo segmento de reta −1<x<1, y=0. |