Um meio eficiente de estudar curvas no plano complexo é através de equações paramétricas. As coordenadas dos pontos da curva são dadas como funções x=x(t) e y=y(t) de uma variável real t
[a,b], que é denominada parâmetro. A curva é orientada no sentido em que o parâmetro t cresce.
C={ z
C: z=z(t)=x(t) + i y(t), a<t<b }
Uma curva orientada complexa, pensada como um conjunto de pontos em R², consiste de pares ordenados da forma [x(t),y(t)] com a<t<b. O sentido positivo da curva C é aquele dado quando se faz t crescer.
Seja C uma curva com representação paramétrica z=z(t) onde t é um parâmetro pertencente ao intervalo [a,b]. Sejam P e Q dois pontos da curva C tal que P=z(t1) e Q=z(t2). Se t1<t2, dizemos que P está colocado antes de Q na curva e denotamos isto por
P=z(t1)
z(t2)=Q
Deste modo, quando t cresce de a até b, os pontos z=z(t) percorrem a curva C desde z(a) até z(b). O número complexo z(a) é denominado a origem da curva C e z(b) é a extremidade da curva C. Tais pontos são denominados os extremos da curva C. Os pontos de C estão assim ordenados e por esta razão a curva é denominada uma curva orientada.
Sejam A=(x1,y1) e B=(x2,y2) dois pontos fixados no plano cartesiano representando, respectivamente, os números complexos z1=x1+iy1 e z2=x2 + i y2. Seja P=(x,y) um ponto arbitrário da reta que passa pelos pontos A e B, de modo que z=x+iy seja um número complexo.

Desse modo, temos que
Como AP=z−z1 e AB=z2−z1 são colineares, temos que AP=t.AB, ou ainda, z−z1=t(z2−z1) onde t é um número real. Então, a equação paramétrica da reta que passa pelos pontos α e β é dada pela equação
z = z1 + t (z2−z1) t
R
Sejam z1 e z2 números complexos (ou pontos no plano complexo). Tomando t
[0,1] na equação paramétrica da reta, limitaremos o nosso conjunto a um segmento de reta, cujas extremidades são z1 e z2. Assim:
z(t) = (1−t)z1 + t z2 (0< t<1)
é a parametrização (representação paramétrica) do segmento de reta, com origem em
Exemplo: O segmento de reta de z1=1−2i até z2=−3+4i tem equação paramétrica:
Para obter o ponto médio de um segmento de reta com equação paramétrica
z(t) = (1−t) z1 + t z2 (0< t<1)
basta tomar t=1/2. Realmente, se u=x1+iy1 e v=x2+iy2, o ponto médio do segmento [u,v] tem coordenadas
| xm = | x1+x2
2 |
, ym = | y1+y2
2 |
|---|
Exercício: Sejam u=1+2i, v=4−2i e w=−3+i vértices de um triângulo. Obter a equação da mediana que passa por u e pelo ponto médio do segmento [v,w].

Se u=x1+iy1 e v=x2+iy2, definimos a distância entre u e v, como:
d(u,v) = |u−v| = [(x1−x2)² +(y1−y2)²]1/2
Uma circunferência centrada em p é o lugar geométrico de todos os números complexos z, que estão a uma distância fixa de p, denominada raio da circunferência. Se p=a+bi≡(a,b) é o centro da circunferência e z=x+iy≡(x,y) é um ponto qualquer da circunferência, a distância entre z e p é fixa, normalmente denotada por r. A equação da circunferência toma a forma |z−p|=r ou
Apresentaremos agora, algumas noções elementares sobre a topologia do plano complexo. Alguns desses conceitos são similares aos da reta real. Estas noções são baseadas na forma de medir a distância entre dois pontos do plano complexo. Existem muitas formas para realizar isto.
Disco aberto: Seja p um número complexo e r um número real positivo. Um disco aberto de centro em p e raio r é o conjunto de todos os números complexos z tal que a distância de z a p seja menor do que r. Podemos denotar esta definição por:
Dr(p)={z:|z−p|<r}
Exemplo: O conjunto dos pontos z tal que |z−(−2+2i)|<2 é o disco aberto de centro em p=−2+2i e raio r=2.

Disco fechado: Seja p um número complexo e r um número real positivo. Um disco fechado de centro em p e raio r é o conjunto de todos os números complexos z tal que a distância de z a p seja menor ou igual a r. Denotamos isto por
Dr[p] = { z:|z−p|<r }
Exemplo: O conjunto dos pontos z tal que |z−(2+2i)|<2 é o disco fechado centrado em p=−2+2i e raio r=2.
Vizinhança aberta: Diz-se que S é uma vizinhança aberta de um número complexo p se, existe um disco aberto centrado em p com um raio positivo r, inteiramente contido em S.

Vizinhança fechada: Diz-se que S é uma vizinhança fechada de um número complexo p se, existe um disco fechado centrado em p com um raio positivo r, inteiramente contido em S.
Ponto de acumulação: Um número complexo p é ponto de acumulação de um conjunto S, se toda vizinhança aberta de p contém pontos de S diferentes do próprio p. Observe que p pode não estar no conjunto S.
Exemplo: O número complexo p=i é um ponto de acumulação do conjunto S = {i−1/n: n=1,2,3,4,... }.
Ponto de aderência: Um ponto p é ponto de aderência de um conjunto S, se toda vizinhança aberta de p contém pontos de S. Observe que p pode não pertencer ao conjunto S e que existe uma sutil diferença entre os conceitos de ponto de acumulação e ponto de aderência.
Exemplo: Cada número complexo do conjunto S={i+n: n=1,2,...} é um ponto de aderência de S, mas nenhum deles é ponto de acumulação de S.
Ponto isolado: Um ponto p é ponto isolado se, não é ponto de acumulação de um conjunto. Isto significa, que é possível construir um disco aberto centrado em p, contendo apenas este ponto.
Exemplo: Cada número complexo do conjunto S={i+n: n=1,2,...} é um ponto isolado de S.
Conjunto fechado: Um conjunto S é fechado, se todo ponto de acumulação de S pertence ao conjunto S.
Exemplos: Todo disco fechado é um conjunto fechado, entretanto o conjunto S={i−1/n: n=1,2,...} não é fechado, pois o número complexo z=i é um ponto de acumulação de S e não pertence ao conjunto S.
Conjunto aberto: Um conjunto S é aberto, se o seu complementar Sc é um conjunto fechado.
Conjunto limitado: Um conjunto S é limitado, se existe uma constante M tal que |z|<M para todo z
S. Se o conjunto não é limitado, ele é dito ilimitado.
Conjunto compacto: Um conjunto S do plano complexo, é dito compacto, se é ao mesmo tempo, fechado e limitado.
Ponto interior: Um ponto p é um ponto interior de um conjunto S, se existe uma vizinhança aberta de p inteiramente contida em S.
Ponto de fronteira: Um ponto p é um ponto de fronteira de um conjunto S, se toda vizinhança de p contém pontos de S e pontos que não estão em S.
Exemplo: O conjunto dos pontos z tais que |z|=2 consiste na fronteira do disco de centro na origem e raio 2.
Ponto exterior: Um ponto p é um ponto exterior a um conjunto S, se ele não é ponto interior de S e também não é ponto da fronteira do conjunto S.
Conjunto aberto: Um conjunto S é aberto, se todos os pontos de S são pontos interiores.
Linha poligonal: Consideremos dois pontos u e v no plano complexo de modo que z=z(t) com a<t<b, u=z(a) e v=z(b). Uma linha poligonal de u até v é a reunião de um número finito de segmentos de reta, construídos no plano do seguinte modo.
Particionamos o intervalo [a,b] em um número finito de subintervalos [t0,t1], [t1,t2],...,[tn−1,tn], com
a = t0 < t1 < t2 < ... <tn−1 < tn = b
onde a cada subintervalo tj<t<tj+1 com j=0,...,j=n, corresponde um segmento de reta z=z(t), tj<t<tj+1 com a extremidade de cada segmento coincidindo com o início do segmento de reta seguinte, o que significa que a curva formada pela reunião (finita) destes segmento de retas possui limites laterais finitos em cada tj.
Conjunto conexo: Um conjunto S é conexo, se quaisquer dois pontos de S podem ser ligados por uma linha poligonal inteiramente contida no conjunto S.
Exemplo: O conjunto S={z: 2<|z|<3 } de todos os números complexos que estão fora do disco fechado com raio 2 e dentro do disco aberto de raio 3, ambos centrados na origem, é um conjunto aberto e conexo.

Domínio: Um conjunto S é denominado domínio se é, ao mesmo tempo, aberto e conexo.
Exercício: Representar graficamente os seguintes conjuntos de pontos.
(1) |z|=2, (2) 4<|z|<10, (3) Re[(z+1)/(i+1)]>0, (4) Im[(z−i)/i]<0, (5) |(z−i)/(i−1)|=2 e
Exercício: Determinar a equação cartesiana da curva complexa z=(1−t²)1/2+2ti onde −1< t<1. Construa um esboço gráfico desta curva.