Teorema Fundamental da Álgebra Linear

Sejam U e V espaços vetoriais de dimensão finita com dim(U)=n e dim(V)=m e sejam também, B1 e B2, respectivamente, bases de U e V. Então, toda transformação linear de U sobre V determina uma única matriz de ordem mxn, relativamente a B1 e B2. Reciprocamente, toda matriz desse tipo determina uma única transformação linear de U em V definida por:

A(x) = x1 A(e1) + ... + xn A(en)

pois toda transformação linear A:UtoV pode ser escrita nesta forma, sendo

A(ej) =
m
soma
i=1
aij fi

onde {f1,...,fm} é uma base de V e dada A:UtoV definida para cada inteiro j tal que 1<j<n, existindo escalares aij tais que isto acontece).

Exemplo: A aplicação F: R³ toR² definida por F(x,y,z)=M.(x,y,z) t onde

M =
1 1 1
2 1 0

é linear, pois se u=(x1,y1,z1), v=(x2,y2,z2) e p inR, então

F(pu+v) = F[p(x1,y1,z1)+(x2,y2,z2)]
  = F[(px1,py1,pz1)+(x2,y2,z2)]
  = F[(px1+x2,py1+y2,pz1+z2)]
  = M.(px1+x2,py1+y2,pz1+z2t
  = M.(px1,py1,pz1t + M.(x2,y2,z2t
  = p F(u) + F(v)

Exemplo: A transformação T:R²toR² definida por T(x,y)=(y,x), que é uma reflexão no plano em torno da reta x=y, é linear, pois tomando T(1,0)=(0,1) e T(1,1)=(1,1), então

(x,y) = a(1,0) + b(1,1) = (a+b,b)

logo, a+b=x e b=y, garantindo que a=x−y. Assim (x,y) = (x−y)(1,0) + y(1,1) e

T(x,y) = T[(x−y)(1,0)+y(1,1)]
  = (x−y) T(1,0) + y T(1,1)
  = (x−y)(0,1) + y(1,1)
  = (y,x−y+y) = (y,x)

Também podemos escrever na forma matricial

T
x
y
=
0 1
1 0
.
x
y

Exemplo: A transformação T:R²toR² tal que

T(x,y) =
1 1
2 2
.
x
y

não é linear, pois, como a segunda linha é combinação linear da primeira, o determinante desta matriz é nulo. Ainda mais, o posto desta matriz é igual a 1.

Exemplo: Determinar a forma geral T=T(x,y,z) da transformação linear T:R³toR² tal que T(1,0,0)=(1,0), T(0,1,0)=(1,1) e T(0,0,1)=(1,−1).

Para resolver este problema devemos escrever o vetor v=(x,y,z) como combinação linear dos elementos e1=(1,0,0), e2=(0,1,0) e e3=(0,0,1) de C={e1,e2,e3}. Assim,

(x,y,z) = a(1,0,0) + b(0,1,0) + c(0,0,1) = (a,0,0) + (0,b,0) + (0,0,c) = (a,b,c)

Logo x=a, y=b e z=c e desse modo,

T(x,y,z) = T[x(1,0,0) + y(0,1,0) + z(0,0,1)]
  = T[x(1,0,0)] + T[y(0,1,0)] + T[z(0,0,1)]
  = x T(1,0,0) + y T(0,1,0) + z T(0,0,1)
  = x(1,0) + y(1,1) + z(1,−1)

logo

T(x,y,z) = (x+y+z,y−z)

Qual é o vetor vinR³, tal que T(v)=(1,2)? Como T(x,y,z)=(x+y+z,y−z), para que tenhamos T(x,y,z)=(1,2), basta resolver o sistema:

x+y+z = 1
y−z = 2

Somando membro a membro as duas equações, obtemos x+2z=3, de onde segue que x=−2y+3.

Na verdade, existem infinitas soluções para este problema. Se escolhermos y=1, obteremos x=1 e z=3 e v=(1,1,3).

Podemos também resolver este problema da seguinte forma: Como x=−2y+3 e y=z+2, escrevendo x em função de z, obtemos

x=−2(z+2)+3 = −2z−1

Assim (x,y,z)=(−2z−1,z+2,z). Fazendo z=t, podemos escrever as equações da reta nas formas paramétricas que passam por P0 e têm a direção v.

x(t)=−2t−1,     y(t) = t+2,     z(t) = t

ou seja

x(t)+1
−2
=
y(t)−2
1
=
z(t)−0
1

Desse modo, v=(−2,1,1) e P0=(−1,2,0).

Poderíamos ainda escrever (x,y,z)=(3−2y,y,y−2).

Exemplo: Determinar a forma geral T=T(x,y,z) da transformação linear T:R³toR² tal que T(1,0,0)=(1,0), T(1,1,0)=(2,3) e T(1,1,1)=(4,7).

Para resolver este problema devemos escrever o vetor v=(x,y,z) como combinação linear dos elementos de D={(1,0,0),(1,1,0),(1,1,1)}. Assim

(x,y,z) = a(1,0,0) + b(1,1,0) + c(1,1,1)
  = (a,0,0) + (b,b,0) + (c,c,c)
  = (a+b+c,b+c,c)

Logo, x=a+b+c, y=b+c e z=c. Desse modo

T(x,y,z) = T[x(1,0,0) + y(1,1,0) + z(1,1,1)]
  = T[x(1,0,0)] + T[y(1,1,0)] + T[z(1,1,1)]
  = x T(1,0,0) + y T(1,1,0) + z T(1,1,1)
  = x(1,0) + y(2,3) + z(4,7)

e desse modo

T(x,y,z) = (x+2y+4z,x+3y+7z)

Alguns aspectos geométricos

Exemplo: A projeção Px:R²toR tal que Px(x,y)=x é linear, pois

fig

Exemplo: A projeção Py:R²toR tal que Py(x,y)=y é linear, pois

fig

Exemplo: A projeção P:R³toR² tal que P(x,y,z)=(x,y) é linear, pois

fig
Construída por Carolina da Silva Gonçalves e Ulysses Sodré.