v. 39

Perdas e ausências na literatura contemporânea (dez. 2020)

Na antiguidade grega, aprendemos a sofrer nas tragédias e nas elegias, por enfrentarmos os nossos erros essenciais e por lamentarmos as nossas perdas. Na comédia "Much Ado about Nothing", a personagem Benedick afirma "everyone can master a grief but he that has it" - todos sabemos como sofrer, exceto aquele que sofre. Na contemporaneidade, apesar das guerras e dos genocídios, parecia que a morte havia sido domada ou apagada da vida diária, pelos procedimentos sanitários e pelo encapsulamento do episódio final nos porões refrigerados dos hospitais. A grandeza da população urbana, em seus movimentos frenéticos, anulou a figura do herói, pois somos quase todos desconhecidos no mundo das centenas de milhares ou dos milhões de habitantes. Foi preciso uma pandemia para enfrentarmos novamente a noção de uma finitude palpável, imediata, aterrorizante. A arte, momentaneamente em compasso de espera, é para muitos o refúgio ou o divertimento, no sentido de Pascal, o afastar-se da dor. Mas é nela que vamos encontrar as emoções, não aquelas profusas, conscientes e imediatas, como anotou T. S. Eliot, mas os sentimentos capazes de nos tornar humanos novamente.

Edição completa

Ver ou baixar a edição completa PDF

Sumário

Expediente e Apresentação

Comissão Editorial
PDF
2
Ricardo Augusto de Lima, Willian André
PDF
5-11

Artigos

Roseane Oliveira de Araújo Félix, João Batista Cardoso
PDF
12-23
Rafael Magno de Paula Costa
PDF
24-35
Nelson Eliezer Ferreira Júnior
PDF
36-47
Carolina de Aquino Gomes, Ana Marcia Alves Siqueira
PDF
48-59
Everton Barbosa Correia
PDF
60-70
Alamir Aquino Corrêa
PDF
71-80
Vanessa Massoni da Rocha
PDF
81-92
Alexandre Henrique Silveira, Bernardo Nascimento de Amorim
PDF
93-102
George Lima, Marisa Martins Gama-Khalil
PDF
103-114
Daniela Maria Segabinazi, Jaine Sousa Barbosa
PDF
115-130
Carmina Monteiro Ribeiro, Milena Ribeiro Martins
PDF
131-142