Luto infantil e o processo de ressignificação da vida: a trajetória de Maria em Corda Bamba, de Lygia Bojunga

Carmina Monteiro Ribeiro, Milena Ribeiro Martins

Resumo


Geralmente considerados tabus por pais, educadores e mediadores de leitura, os temas morte e luto não são evitados pela produção literária recente. Camuflar conversas e produções artísticas que lidem com a finitude da vida pode prejudicar o processo de simbolização necessário à formação da identidade da criança e do jovem, à sua compreensão da finitude da vida e, assim, à sua valorização. Este ensaio visita o romance Corda Bamba, de Lygia Bojunga, especialmente o processo de luto, amadurecimento e descoberta da protagonista. Após ter perdido os pais em um trágico acidente circense, a menina de 10 anos de idade perdeu também todas as suas memórias. Durante sua trajetória metafórica por portas coloridas em um longo corredor, ela revive histórias que ouviu sobre seus pais e momentos que passou com eles. Por meio desses passeios, consegue elaborar sua perda e ressignificar sua existência, criando novas conexões com suas lembranças, seus entes perdidos e passando a lidar melhor com sua nova situação. A análise foi feita com base em estudos sobre a morte e o luto, teoria e crítica de literatura infantil e juvenil e análises literárias da produção de Lygia Bojunga.

Palavras-chave


Lygia Bojunga; Morte; Luto; Literatura juvenil

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1678-2054.2020v39p131

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Publicação do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina.  


ISSN: 1678-2054

QUALIS - CAPES 2013-2016: Letras/Linguística: B1 ; Educação: B2

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