Afroletrar o letramento para enegrecer o currículo

Luiz Carlos Felipe, Mirian Hisae Yaegashi Zappone

Resumo


O conceito de letramento, tal como está concebido no currículo escolar, já não é suficiente para representar as singularidades de todos os sujeitos que participam do processo de ensino-aprendizagem, tampouco acompanhar a diversidade multicultural e as transformações tecnológicas com as quais esses indivíduos precisam se relacionar. Por isso, sob a perspectiva de uma proposta curricular que considere uma visão afrocentrada, apresentamos um breve estudo sobre o “afroletramento”. De início, traçamos uma revisão histórica do conceito de letramento constantes nas obras de Kleiman (1995), Soares (1998) e Rojo (2009), para em seguida analisarmos dois conceitos recentes, o “afrocentrismo” e o “afroletramento”, na perspectiva de Nogueira Júnior (2010) e Nascimento (2016). Essas abordagens teóricas são contextualizadas a partir das políticas públicas sociais dirigidas, em especial, à população negra no Brasil, bem como as proposições de bases legais na área da educação, criadas no decênio 1995-2005. E, finalmente, buscamos exemplificar um modo de inserção curricular de viés afrocentrada, a partir de textos não canônicos de escritoras negro-brasileiras como Cristiane Sobral e Conceição Evaristo. 

Palavras-chave


Letramento; Afroletramento; Letramento Literário; Afrocentrismo

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1678-2054.2019v37p8

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Publicação do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina.  


ISSN: 1678-2054

QUALIS - CAPES 2013-2016: Letras/Linguística: B1 ; Educação: B2

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