Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner Andresen: a “Epopeia do Negativo” Versus a Unidade

Cristian Pagoto, Rodrigo Vasconcelos Machado

Resumo


A presença de Fernando Pessoa, seja de que modo existiu, é inquestionável e inseparável da instauração do Modernismo português e da sua modernidade. Lançada em terras lusitanas, a modernidade irá encontrar terreno seguro para fortalecer-se na poesia dos grandes poetas idealizadores dos Cadernos de Poesia, publicados em 1940. Neles Sophia de Mello Breyner Andresen faz a sua estreia e, mais tarde, em 1944 publica seu primeiro livro. A geração de 40 encontra reverberando ainda a geração de Pessoa e a de presença e com ela manterá um diálogo poético intenso. Nos livros publicados por Sophia até a década de 60, o diálogo com a esfinge pessoana não é exatamente explícito, mas antes está presente em sua dicção e no versilibrismo, em alguns casos próximos às odes do heterônimo Álvaro de Campos. Depois, com Livro Sexto, de 1962, o diálogo torna-se mais evidente e até mais visível, com vários poemas evocando Pessoa. Mas se neste a consciência da modernidade instaura uma negatividade e uma epopeia da noite, os poemas de Sophia trazem a luz, a unidade, o encontro pleno com o real, uma plenitude, contudo, que não deixa ausente o sentimento trágico de um “tempo dividido”.

Palavras-chave


Modernismo; Diálogo intertextual; Negatividade; Unidade

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1678-2054.2018v36p41

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Publicação do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina.  


ISSN: 1678-2054

QUALIS - CAPES 2013-2016: Letras/Linguística: B1 ; Educação: B2

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