Apresentação

Vanderci Andrade Aguilera

Resumo


A Signum 12/1 é um volume temático, apresentando 20 artigos sobre Sociolinguística, Dialetologia e Geolinguística Pluridimensional que versam sobre temas diversos, tanto de caráter metodológico, como de nível fonético, lexical, morfossintático, além de crenças e atitudes sociolinguísticas.

 

No artigo de Almeida Baronas, Marcas de oralidade no texto escrito, a autora estuda a influência da oralidade no texto escrito e apresenta um paralelo entre os desvios da norma mais comuns e as marcas do falar rural, a partir de dois corpora distintos: textos escritos de alunos e transcrições de entrevistas com falantes rurais.

 

Por sua vez, no artigo Estudos Dialetológicos no Paraná: convite a um passeio pela história, Altino faz um inventário dos trabalhos dialetológicos realizados no Estado do Paraná, dando ênfase aos dois atlas linguísticos do Estado – Atlas Linguístico do Paraná – ALPR, de Aguilera (1994) e Atlas Linguístico do Paraná – ALPR II, de Altino (2007).

 

Em A parassinonímia em atlas linguísticos regionais brasileiros, Aragão, trabalhando com itens lexicais de algumas cartas léxicas dos campos semânticos “fenômenos atmosféricos”, “corpo humano” e “cultura e convívio” de cinco atlas linguísticos brasileiros publicados, busca responder à questão: os itens lexicais dos Atlas Linguísticos constituem parassinônimos?

 

Botassini, em Crenças e atitudes linguísticas quanto ao uso de róticos, avalia as crenças e as atitudes de dez falantes (seis maringaenses, dois cariocas e dois gaúchos) em relação à utilização de róticos. A partir da descrição e da análise das variantes do /r/ em coda silábica, discute as respostas dadas por esses informantes a perguntas específicas sobre crenças linguísticas.

 

Já Brandão, em S em coda de sílaba interna à luz da geo e da sociolinguística, analisa a realização de S em coda de sílaba interna com base na fala de onze comunidades do Estado do Rio de Janeiro coletada por meio da aplicação do questionário do Micro Atlas Fonético do Estado do Rio de Janeiro – MicroAFERJ, de Almeida (2008), e de elocuções livres que constituem o corpus desse atlas.

 

O Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Oeste do Paraná/ALERO:uma descrição preliminar do movimento diatópico e diastrático da fala, de Busse, apresenta algumas considerações sobre a descrição da variação linguística a partir dos princípios da dialetologia pluridimensional, comparando duas cartas do Atlas Linguístico do Paraná, de Aguilera (1994) com duas cartas preliminares do Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Oeste do Paraná/ALERO, tese de doutorado de Busse, em andamento.

 

Cuba e Isquerdo, em Léxico e história social: um estudo da variante lexical neve no Atlas Linguístico da Mesorregião Sudeste de Mato Grosso, analisam marcas de influências interculturais e linguísticas no vocabulário, com base na produtividade da variante neve como designação de “orvalho” e “cerração”, registrada no Atlas Linguístico da mesorregião Sudeste de Mato Grosso, e comparando-a com a ocorrência em cinco atlas linguísticos brasileiros das regiões

Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.

 

O Estudo linguístico-etnográfico em comunidade paranaense de imigrantes ucranianos: do passado ao presente, de Garcia, tomando como base a descrição de fatos linguísticos descritos por Wouk (1970), investiga a mudança linguística em tempo real e tempo aparente da língua falada entre os habitantes descendentes de imigrantes ucranianos em Dorizon, distrito localizado ao sul do Estado do Paraná.

 

Marins e Soares da Silva investigaram, em O comportamento das línguas românicas em relação ao parâmetro do sujeito nulo, o comportamento da fala culta de uma variedade do italiano e de duas do espanhol, comparando-o com os resultados já obtidos para PE e PB, fornecendo evidências do comportamento das línguas de sujeito nulo, permitindo enfatizar as diferenças entre estas e o PB.

“Caranguejo tem língua?”: um glossário do caranguejo no Maranhão, de Moreira, é pautado nas disciplinas que estudam o léxico, especificamente a lexicografia e a terminologia. Enfoca a língua de especialidade utilizada por catadores e vendedores de caranguejo maranhenses, contemplando três campos semânticos: coleta, processamento e comercialização do caranguejo, em duas localidades do Maranhão: São Luís e Araioses.

 

Mota e Cardoso, em A construção de um Atlas Linguístico do Brasil:o percurso do ALiB, pela experiência do ALiB, sabem que uma das maiores dificuldades na construção de um atlas linguístico diz respeito ao tempo, ou seja, o tempo despendido na execução da obra, o tempo que requer a coleta de dados, o tempo para exegese e análise dos materiais, entre outros. Buscando iluminar o caminho, respondem a questões como: Como é fazer um atlas de um país continental? Como é lidar com as distâncias numa terra de tamanha amplitude? Como se pode estabelecer um tempo para fazer um atlas dessas proporções sem a segurança da continuidade de verbas provindas de um sistema de fomento à pesquisa?

 

Oliveira, Razky, Silva e Costa apresentam, em Imagens preliminares da realização variável de /l/ prevocálico no Estado do Pará, a realização variável de /l/ diante de [i/j] a partir de dados de fala de 32 paraenses, coletados pela equipe de pesquisadores do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) em sete cidades do Pará.

 

Ramos, Bezerra e Rocha, em Do nosso cotidiano ou do cotidiano da gente? Um estudo da alternância nós/a gente no português do Maranhão, abordam questões referentes à variação linguística, objetivando examinar como vem ocorrendo a alternância da forma do pronome pessoal de primeira pessoa do plural – nós – e a forma, originalmente, do substantivo coletivo – a gente –, com base em dados do português falado no Maranhão.

 

Bilinguismo no Espírito Santo: reflexos no português de adultos e crianças é o artigo em que Rodrigues mostra algumas das interferências fonéticas de L1 no português dos descendentes de imigrantes pomeranos e alemães, principalmente as trocas de fonemas e alterações de estrutura silábica, analisando um corpus constituído por entrevistas do projeto Atlas linguístico do Espírito Santo (ALES) e por dados coletados em escolas públicas de primeiro grau.

 

Silva e Aguilera, em Os atlas linguísticos brasileiros e o inquiridor:em busca de uma metodologia adequada, iniciam uma discussão sobre os procedimentos metodológicos da geolinguística no Brasil, apresentando uma reflexão a respeito da constituição da equipe de pesquisadores de campo e sua importância para pesquisas desta natureza. Para isso, comparam a metodologia adotada pelos nove atlas estaduais brasileiros concluídos no período de 1963 a 2008 no que se refere à composição da equipe de investigadores/inquiridores de campo.

 

Silva, em “Aquela palavra ruim, o Ruim”: a tabuização da lexia Diabo no português falado no Maranhão, enfoca o tabu linguístico religioso com base na questão 159 do questionário semântico-lexical do Atlas Linguístico do Maranhão, que apura as denominações de diabo. A autora analisa a tabuização dessa lexia e busca identificar os recursos utilizados pelos falantes para fugir da lexia tabu e investiga em que medida variáveis de natureza diatópica, diagenérica e diageracional e a orientação religiosa interferem no uso na lexia diabo.

 

Novas perspectivas para a indeterminação do sujeito no PB: ultrapassando os limites das gramáticas tradicionais, de Souza, investiga um dos recursos de indeterminação do sujeito: o uso da terceira pessoa, masculino plural, em suas realizações plena e nula. O interesse principal é discutir porque a ‘Gramática Tradicional’ não considera novas formas de indeterminação, tal como o pronome ‘eles’, como um recurso de indeterminação no PB.

 

Em Falares e aspectos culturais de Rondônia: a importância dos estudos sociolinguísticos, fonéticos e dialetológicos, Teles apresenta dados da elaboração do Atlas Linguístico de Rondônia – ALiRO, em que se detectam “falares” rondonienses e não “dialetos” e mostra-se que essa opção pelo termo “falares” está ligada às origens da população de Rondônia, buscando responder às questões: Será que se pode dizer que o Estado de Rondônia possui um “falar” próprio? E o que dizer de sua cultura?

 

Em A realização dos róticos em coda silábica na cidade de Paranaguá – litoral do Paraná, Toledo recorre a três frentes distintas: (i) crenças e atitudes sociolinguísticas; (ii) análise dos fatores linguísticos e extralinguísticos na produção dos róticos em coda silábica externa; e (iii) os contextos de uso das formas retroflexa, velar, glotal, alveolar e tepe, para analisar a realização dos róticos em Paranaguá, cidade localizada no litoral paranaense.

 

Por fim, em Variação das preposições em verbos de movimento, Vieira investiga, baseada em 39 entrevistas de falantes das cidades de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, a realização da preposição locativa “em” junto a verbos como “chegar”, “vir”, “levar” e “ir”, em detrimento das preposições direcionais prescritas pelas gramáticas.

 

Comissão Editorial


Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-4876.2009v12n1p12



Signum: Estudos da Linguagem
Telefone: (43) 3371-4428
E-mail: signum@uel.br
ISSN: 2237-4876