Antropofagia Dialógica: olhar Tarsila do Amaral

Luciane de Paula, Douglas Neris de Souza

Resumo


Este trabalho apresenta uma reflexão dialógica sobre a carnavalização em Tarsila do Amaral. O quadro Antropofagia, composto pela síncrese de A Negra e Abaporu, em diálogo com a estética moderna é o corpus, em cotejo com outras obras da autora-criadora. A fundamentação teórica se pauta nas noções de dialogia e carnavalização dos estudos bakhtinianos, mobilizadas junto à descrição analítica verbivocovisual. O objetivo é pensar sobre a constituição da(s) identidade(s) por meio da(s) alteridade(s), ou seja, o quanto a voz do outro constitui a voz do eu, composta por um embate que, no caso de Tarsila, constitui o traço estilístico de sua estética, de uma identidade artística e de uma imagem de Brasil. A relevância se volta à reflexão sobre essas concepções, num momento de resistências, rupturas e confirmações de tradições, como o vivido no início do século passado, configurado de outra maneira, pois outro tempo histórico. A ideia de nacional, de brasilidade, de eu-outro, interno-externo, próprio-alheio emerge com fulgor, assim como a urgência de se pensar a identidade-outra/alter, heterogênea, ímpar, responsiva e responsável no elo discursivo que constitui uma nova-velha era e essa é a proposta ética desta escrita.

Palavras-chave


Antropofagia; Dialogia; Carnavalização

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-4876.2019v22n3p75

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