A Variação em Interrogativas de Constituinte no Fluxo Conversacional

Livia Oushiro, Ronald Beline Mendes

Resumo


Com base nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2006 [1966]), este artigo analisa a influência do fundo comum (CLARK, 1996; STALNAKER, 2002) no uso variável de duas estruturas de interrogativas de constituinte no português paulistano, in situ (p.ex. Você mora onde?) ou não (p.ex. Onde (que/é que) você mora?). Discute-se o papel de três grupos de fatores discursivo-pragmáticos – Sinceridade Pragmática da Pergunta, Grau de Ativação do Fundo Comum e Conjunto de Respostas Previstas –, e argumenta-se que o uso variável de interrogativas de constituinte é sensível ao aqui-e-agora da conversa, à medida que os falantes fazem suas contribuições conversacionais e o fundo comum é atualizado: os resultados mostram que as interrogativas qu-in-situ são favorecidas em perguntas de estruturação do discurso (que introduzem novas informações), quando a pressuposição havia sido mais recentemente ativada e quando a resposta da pergunta é mais previsível. Tais fatos podem ser interpretados como uma estratégia para o processamento cognitivo, para a manutenção de turno e para a organização geral do discurso, e ressaltam a importância de analisar amostras de falas naturais em seus contextos de uso.

Palavras-chave


Interrogativas de constituinte. Fundo comum. Português paulistano.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-4876.2012v15n3p273



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