A ordem dos clíticos em complexos verbais na sincronia atual: uma regra variável?

Silvia Rodrigues Vieira, Cristina Márcia Monteiro de Lima Corrêa

Resumo


O trabalho centra-se nas possibilidades de colocação pronominal em ambiente com complexos verbais de modo a promover uma discussão acerca do estatuto variável desse fenômeno no vernáculo brasileiro. Em tese, não existem mais formas genuinamente alternantes, pois as posições pré (não se pode investigar) e pós-complexo verbal (pode investigá-lo) estão vinculadas a determinados tipos de clíticos, configurando construções aprendidas, e a posição não-marcada é a interna ao complexo (pode me investigar). A ordem cl V1 V2 ocorre basicamente na fala de indivíduos escolarizados e em dados com se em estruturas indeterminadoras, quando o verbo auxiliar é poder/dever, precedido por palavra negativa e/ou relativo que. Os clíticos o/a(s) sucedem categoricamente V2, normalmente uma construção infinitiva. Os demais clíticos ocorrem exclusivamente na posição interna ao complexo, de modo que apenas superficialmente se verifica variação em estruturas com se indeterminador, que pode aparecer nas ordens anterior e interna ao complexo (com provável ligação a V1). As reflexões apresentadas tomam por base o confronto entre duas pesquisas sociolinguísticas labovianas, Vieira (2002) e Corrêa (2012), as quais se diferenciam principalmente pelo período em que foram recolhidas as amostras de fala: no primeiro, os dados são das décadas de 1970/1980; no segundo, de 2008/2009.


Palavras-chave


Sociolinguística. Colocação pronominal. Português do Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-4876.2012v15n1p357



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