Avaliação das hemotransfusões alogênicas na maternidade do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná

Guilherme Gryschek, Adriane de Cássia Guergolet, Kety Kimi Saito, Vivian Uemura, Ameline Nishizima, Francisco Pereira Silva, Elbens Azevedo

Resumo


Os riscos inerentes às hemotransfusões alogênicas são amplamente conhecidos e, embora tenham diminuído nos últimos anos, parece improvável que possam ser completamente eliminados. É fundamental que se avalie corretamente cada paciente, para a adequada indicação transfusional ou a possível substituição por alternativas mais seguras, eficazes e acessíveis. No ciclo gravídico-puerperal, há maior exposição a riscos de anemia, quer a fisiológica quer a decorrente de hemorragias especialmente no periparto. Constituem, assim, um grupo de interesse para se considerar possíveis alternativas ao uso do sangue alogênico. O objetivo do presente estudo consiste nas principais indicações de transfusões na maternidade do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (HURNP-UEL). Analisaram-se, retrospectivamente, 206 prontuários, de um total de 6552 pacientes internadas na Maternidade do HURNP, no período de maio de 1999 a julho de 2004, submetidas a 274 transfusões de sangue. Os principais dados coletados foram: epidemiológicos, nível de Hb pré-transfusional, indicações, tocurgias e complicações. A média etária foi de 27,5 (14- 44) anos. As indicações mais freqüentes foram: anemia aguda (62%), coagulopatia (7%), anemia crônica (7%), choque hipovolêmico (6%) e outras (9%). Em 9% dos casos, não se mencionou nenhuma indicação, e, neles, o nível médio de Hb pré-transfusional foi de 9,6 g/dl. Os produtos hemoterápicos mais utilizados foram: concentrado de hemácias (82%), plaquetas (4%), plasma (11%) e crioprecipitado (3%). O nível médio de Hb foi de 7,15 g/dl nas pacientes que receberam concentrado de hemácias, dentre as quais em 5% a Hb era maior ou igual a 10 g/dl. As tocurgias realizadas incluíram cesáreas, laqueaduras tubárias puerperais, histerectomias puerperais, curetagens, fórceps e partos normais com episiotomia. Conclui-se que a indicação de transfusão sangüínea não se deve basear apenas nos níveis de Hb, mas em uma avaliação clínica criteriosa, cujos achados, muitas vezes, evidenciam que a mesma não é necessária. Na Maternidade do HURNP as hemotransfusões são realizadas dentro de critérios aceitáveis, mas é possível a sua diminuição no que concerne a um adequado enfoque terapêutico da anemia no ciclo grávido-puerperal,evitando-se, assim, as transfusões desnecessárias.


Palavras-chave


Transfusões alogênicas; Alternativas à hemotransfusão; Ciclo gravídico-puerperal.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2006v27n1p23

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