Primeiras descrições cariotípicas para Myrsine (Primulaceae): comparando três espécies

Paulo Marcos Amaral Silva, Renata Flávia de Carvalho, Micheli Sossai Spadeto, Tatiana Tavares Carrijo, Wellington Ronildo Clarindo

Resumo


Estudos citogenéticos para o gênero dioico Myrsine, assim como para outros táxons da família Primulaceae, apresentaram apenas o número cromossômico. Uma caracterização morfométrica minuciosa gera subsídios para a compreensão da sistemática e evolução das espécies. Dessa forma, padronizações meticulosas nos procedimentos citogenéticos, combinados com os avanços em microscopia e sistemas de análise de imagens, fornecem uma caracterização acurada de um cariótipo. Assim, o objetivo do presente trabalho foi determinar o número cromossômico e caracterizar o cariótipo deMyrsine coriacea (Sw.) R. Br. ex Roem. & Schult, Myrsine umbellata Mart. e Myrsine parvifolia DC.. Cromossomos metafásicos individualizados, achatados na lâmina, com constrições primárias e secundária bem definidas e livres de danos na cromatina e vestígios citoplasmáticos são fundamentais para uma caracterização acurada do cariotópico. Tais aspectos foram encontrados em metáfases obtidas de meristemas radiculares de plântulas cultivadas in vitro e tratados com 5 µM de amiprofos-metil (APM) durante 12 h a 4ºC e macerados em pool enzimático (celulase 4 %, macerozime 1% e hemicelulase 0,4%) por 1 h 30 min a 34ºC. Em lâminas preparadas por dissociação celular e secagem ao ar, foram observadas células com 2n = 45 cromossomos em 8,45% dos indivíduos de M. coriacea e 12,6% de M. parvifolia, e 2n = 46 cromossomos para a maioria dos indivíduos das três espécies. A análise morfométrica evidenciou 5 pares de cromossomos metacêntricos, 17 submetacêntricos e 1 acrocêntrico para M. coriacea; 9 metacêntricos e 14 submetacêntricos para M. umbellata; e 3 metacêntricos e 20 submetacêntricos para M. parvifolia. Os dados obtidos representam os primeiros cariogramas montados para o gênero Myrsine, os quais apresentaram pares de cromossomos morfologicamente idênticos e distintos, assim como classes cromossômicas variadas. Os dados obtidos sugerem que alterações cromossômicas estruturais ocorreram durante a evolução cariotípica de Myrsine. O número cromossômico ímpar 2n = 45 foi marcado pela ausência do par homólogo do cromossomo 23. Assim, outras abordagens citogenéticas devem ser separadamente realizadas em indivíduos masculinos e femininos de Myrsine para conhecer a causa desta aneuploidia. Os dados obtidos representam a base para a compreensão da evolução do cariótipo em Myrsine.

Palavras-chave


Cariograma; Citogenética; Myrsinaceae; Rapanea

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2017v38n1suplp226

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