Avaliação do potencial tóxico e citogenóxico do sedimento do Rio São Francisco (Polo Juazeiro/BA) mediante bioensaio Allium cepa L.

Jadilson Mariano Damasceno, Laysla dos Santos Motta, Ilka Fernanda Mendes Pereira, Ana Christina Brasileiro Vidal, Draulio Costa da Silva, Paula Tereza da Silva, Kyria Cilene de Andrade Bortoleti

Resumo


A cidade Juazeiro/BA vem apresentando um crescimento populacional, desenvolvimento industrial e prática intensiva de agricultura, potencializando o lançamento de efluentes urbanos, industriais e agrícolas no rio São Francisco sem o tratamento adequado, a exemplo do canal do Tourão, podendo gerar impacto sobre água e sedimento. Este trabalho avaliou a toxicidade e citogenotoxicidade em sedimentos do rio São Francisco, influenciados por este efluente, mediante o bioensaio Allium cepa L. e sua correlação com a concentração de metais pesados. Amostras compostas foram coletadas em três pontos de amostragem: à montante (M), no despejo (E) e à jusante (J) do efluente, durante as estações de estiagem (EE, Agosto/2015) e chuvosa (EC, Março/2016). A quantificação de metais foi determinada por espectrometria de absorção atômica. Sementes de A. cepa foram submetidas aos sedimentos coletados e aos controles positivo (Metil Metano Sulfonato e Trifluralina) e negativo (CN; água ultrapura). Após germinação, as raízes foram medidas, fixadas e utilizadas para preparação de lâminas através do método de Feulgen. Foram analisadas 7500 células/tratamento e os resultados comparados ao CN, utilizando o teste de Kruskal-Wallis ou Tukey(p<0,05). O crescimento médio das raízes foi estimulado pelas amostras coletadas à M (0,82 e 0,53 cm para EE e EC, respectivamente), bem como pela amostra coletada à J (0,55 cm) durante a EC, sugerindo uma ação tóxica nesses sedimentos. Por sua vez, a diminuição do índice mitótico evidenciou citotoxicidade para as amostras coletadas em E (8,62%) e J (8,18%) na EC. Com exceção das amostras citotóxicas acima citadas, as quais apresentaram um potencial genotóxico, a frequência de alterações cromossômicas apontou a presença de genotoxicidade para os sedimentos avaliados em ambas as estações. Os resultados revelaram uma maior toxicidade e citotoxicidade para a EC, enquanto que para EE, houve a predominância de genotoxicidade nos sedimentos, sugerindo que a diminuição da água possa acarretar um agravamento da poluição no ambiente. Tal fato é respaldado pela maior concentração de metais pesados (Ni, Pb, Fe, Zn, Cu, Mn e Cr) durante a EE, que embora dentro dos limites estabelecidos pela Resolução, podem estar atuando de forma aditiva e/ou sinergística no rio.


Palavras-chave


Genotoxicidade, Metais pesados, Submédio São Francisco

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2017v38n1suplp104

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