Caracterização citogenética em duas espécies simpátricas do grupo Astyanax fasciatus, da bacia do alto Uruguai, e identificação de possíveis híbridos naturais

Mariane Gavazzoni, Leonardo Marcel Paiz, Carlos Alexandre Miranda Oliveira, Rafaela Maria Moresco, Jocicleia Thuns Konerat, Roberto Loridondo Lui, Carla Simone Pavanelli, Weferson Junio da Graça, Vladimir Pavan Margarido

Resumo


Estudos citogenéticos e moleculares indicam ampla variabilidade cromossômica em Astyanax, principalmente dentro dos complexos de espécies. Tais fatores, somados a ampla distribuição geográfica, porte diminuto e semelhança morfológica, contribuem para a complexidade do grupo e dificultam a identificação e o estabelecimento de relações filogenéticas. Análises citogenéticas básicas e moleculares foram realizadas em Astyanax aff. fasciatus e Astyanax cf. aramburui, coletadas no rio Ijuí, Bacia do Alto rio Uruguai. Ambas as espécies compartilharam algumas características cromossômicas, tais como: número diploide de 46 cromossomos e mesma fórmula cromossômica (10m+22sm+8st+6a), heterocromatina preferencialmente centromérica e RONs simples (Ag- e 18S rDNA-FISH) no braço curto do primeiro par de cromossomos acrocêntricos. Astyanax aff. fasciatus apresentou cístrons múltiplos de 5S rDNA em posição pericentromérica no braço curto do par de cromossomos 3, e em posição centromérica nos pares 21 e 22, diferindo de Astyanax cf. aramburui que apresentou cístrons pericentroméricos no braço longo do par 2 e no braço curto do par 3, e em posição centromérica no par de cromossomos 22. Foram verificados indivíduos com padrão intermediário de distribuição dos cistrons de 5S rDNA, presentes nos homólogos dos pares de cromossomos 3 e 22, e em apenas um dos cromossomos dos pares 2 e 21. Astyanax aff. fasciatus e Astyanax cf. aramburui são espécies morfologicamente muito semelhantes e estão alocadas no complexo “Astyanax fasciatus”. Estudos morfológicos ressaltam a dificuldade de classificação devido a grande semelhança morfológica entre estas espécies, para as bacias da Argentina e Uruguai. Os dados obtidos revelam semelhanças citogenéticas que reforçam a proximidade destas espécies em Astyanax, no entanto, Astyanax aff. fasciatus e Astyanax cf. aramburui diferiram em relação ao número e localização dos cístrons de 5S rDNA, reforçando a importância desse marcador para a diferenciação de espécies complexas em Astyanax. Também foi verificada a existência de espécimes com padrão intermediário de distribuição dos sítios de 5S rDNA, que sugerem representar indivíduos híbridos. Os resultados reforçam a complexidade cromossômica encontrada no grupo Astyanax fasciatus e indicam a necessidade de estudos amplos dentro deste complexo de espécies, que incluam marcadores cromossômicos e que englobem as espécies das bacias hidrográficas do sul.

Apoio: CNPq, CAPES, Fundação Araucária

Palavras-chave


Astyanax cf. aramburui; Bandamento cromossômico; rDNA-FISHco, rDNA-FISH

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2017v38n1suplp117

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