Ganhos citogenômicos e LOH em paciente com síndrome mielodisplásica

Danilo Conrado Silva, Cristiano Luiz Ribeiro, Irene Plaza Pinto, Lysa Bernardes Minasi, Claudio Carlos da Silva, Aparecido Divino Da Cruz

Resumo


A Síndrome Mielodisplásica (SMD) compreende um grupo de desordens hematopoiéticas heterogêneas de natureza clonal. Essas desordens têm em comum graus variados de insuficiência medular, níveis distintos de citopenias no sangue periférico e displasias na diferenciação celular. Os portadores de SMD podem apresentar alterações cromossômicas e/ou genômicas, e cerca de 20% a 40% dos casos evoluem para leucemia, principalmente Leucemia Mieloide Aguda (LMA). Essas alterações podem ser diagnosticadas por análise citogenética clássica, citogenômica e/ou técnicas moleculares, sendo esses diagnósticos determinantes para o prognóstico e tratamento específico. O objetivo do presente trabalho foi avaliar, por meio da citogenética clássica e citogenômica, um paciente com diagnóstico de SMD. O paciente de 75 anos, do sexo feminino, apresentando plaquetopenia, foi encaminhado via Sistema Único de Saúde (SUS) ao Laboratório LaGene, SES / Replicon, PUC-Goiás. A análise citogenética com bandeamento GTG em resolução > 450 bandas revelou um cariótipo sem alterações para o sexo feminino (46, XX). A Análise Cromossômica por Microarranjo (CMA, do inglês Chromosomal Microarray Analysis), mediante o uso do GeneChip CytoScanHDTM (Affymetrix, USA), revelou três ganhos no cromossomo 17, sendo dois ganhos na citobanda 17p11.2 (~ 0,13Mb e ~ 0,15Mb) contendo o gene SPECC1 e um ganho na citobanda 17q25.3 (~ 0,15Mb). SPECC1 é altamente expresso em algumas linhagens de células tumorais. Uma translocação cromossômica envolvendo regiões que flanqueiam os genes SPECC1 e o receptor de fator de crescimento derivado de plaquetas beta (PDGFRB), pode resultar na Leucemia Mielomonocítica Juvenil. A CMA também revelou no paciente estudado uma perda de heterozigosidade (LOH, do inglês loss of heterozygosity) de ~ 8,19 Mb em 18q21.1. Apesar de não conter genes mórbidos, a região de LOH abrange 37 genes. Dados emergentes têm demonstrado que a LOH pode ser frequente em pacientes com doenças hematológicas que apresentam o cariótipo sem alterações. Nas neoplasias mielóides, a LOH tem sido associada à duplicação de mutações oncogênicas com perda concomitante do alelo normal. Conclui-se que ganhos citogenômicos no cromossomo 17, principalmente aqueles relacionados a região do gene SPECC1, e a perda de heterozigosidade podem estar associados a SMD.

Palavras-chave


CMA; Desordens hematopoiéticas; LCSH; SMD

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2017v38n1suplp178

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